14/04/2016 às 08h44min - Atualizada em 14/04/2016 às 08h44min

Analista de pesquisas

De repente, ao prazer de ocupar quinzenalmente meu cantinho na página 2 em que tenho autonomia total para decidir sobre o que escrever, se juntou uma incumbência  para a qual não me sinto com traquejo. Fui guindado à condição de analista de pesquisas de nosso Leopoldinense !  Aos menos informados, conto em segredo: “aumentou minha tarefa, mas não houve acréscimo de um centavo sequer em meu salário”.

A pergunta “você se deixa influenciar por pesquisas eleitorais?" abre, tanto que abriu, um leque de opções para resposta.



Fugindo do tema, digo que sou a favor do voto obrigatório, pois acho que, se o voto for facultativo, a quantidade de votantes cairá abissalmente e, na certa,  quem não tiver interesse direto no resultado poderá não ir votar, preferindo curtir folga em sítio próprio ou de amigo, ou mesmo ficar em casa “ouvindo a banda passar”. E haja compra de votos de quem, não tendo opção de lazer, não dispensará “um agradinho” para ir à urna. E nunca haverá punição para as partes envolvidas no “compra e vende”.

O resultado da pesquisa de nosso quinzenário mostrou uma divergência enorme entre as hipóteses colocadas em discussão. Há quem, levando-se por pesquisas ou por intuito,  não vota em quem vai perder e há quem só vota em quem vai ganhar.

Estive em Alagoas em data próxima de eleição em que o Fernando Collor de Mello era candidato a Senador. Era cômico, para não dizer trágico, ouvir de muitas pessoas que votariam no Collor porque não gostava de perder voto e as pesquisas indicavam que ele iria dar uma sova em seus oponentes. Levado pelas pesquisas, um bando de “inocentes úteis” votou no Collor, ele se elegeu e depois se soube que as pesquisas foram manipuladas, pagas a peso de ouro (ou de dólar).

Pesquisas, sem dúvida, podem gerar resultados. Em Leopoldina, se houvesse apenas dois candidatos a Prefeito nas últimas eleições municipais, o resultado teria sido o mesmo? Ou a frente do vencedor teria sido maior? Certo é que o terceiro candidato entrou sabendo que sua chance era zero e que seus votos seriam tirados de um dos candidatos que polarizaram a disputa.  O que ocorreu para o “azarão” apresentar seu nome será segredo guardado a sete chaves por longuíssimos anos. Quem trabalhou para a existência da terceira via possivelmente se baseou em pesquisas para saber que perderia menos votos que o oponente. Para isso, pesquisas servem !

Muitos nunca foram entrevistados e nem conhecem quem já tenha sido.

No milênio passado, segundo fonte amiga, o PT se revoltava com resultados de pesquisas que indicavam que eu teria votação ridícula para vereador e, ao final, eu era majoritariamente sufragado nas urnas do centro, que garantiram minhas gratificantes vitórias nas três eleições que enfrentei.

Então, respondendo à pergunta base: “eu só acredito em pesquisa se o universo dela abranger praticamente 100% do eleitorado, mas uma pesquisa de tal profundidade é economicamente inviável”.
 
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