17/07/2017 às 08h40min - Atualizada em 17/07/2017 às 08h40min

Os cinco princípios básicos da doutrina espirita

4 - Crença na Pluralidade das Existências

Maurício Teixeira
Como conciliar a justiça Divina, característica que, como vimos, faz parte daquelas que, se Deus não as tiver e em sua mais alta expressão, Ele não seria Deus, com alguns fatos que vemos acontecer na Terra?

Como equacionar isso, vendo uma criança nascer doentinha, à beira da morte e, realmente, não sobreviver, enquanto outras nascem sadias e vivem?
E, se buscarmos pela memória, quantas situações ocorrem, aparentando uma postura preferencial do Criador para com determinadas criaturas?
Ora, se os “planos de Deus” para a felicidade de seus filhos se realizam para uns e não para outros, fica difícil qualifica-lO como justo...

Onde o erro? Ocorre que não é com Deus ou com suas leis que há algo equivocado, mas com a visão imediatista que temos da vida.
 Estamos acostumados a pensar e agir como se tudo se resumisse em nascer, viver, morrer e neste período, que pode demorar desde horas a inúmeras décadas, conquistar tudo o que pudermos para nossa realização pessoal, profissional e para o bem estar de nossa família.

Nunca nos ocorreu questionarmos o paradeiro de nossas conquistas intelectuais e morais, depois do decesso físico? Despender vários anos em busca de instrução, de capacitação, de excelência para galgarmos esses degraus e depois, simplesmente morrer?

Isso falando das coisas positivas...
E quando magoamos, ferimos, infringimos sofrimento a alguém?
Será que isso cairá no esquecimento depois de nossa morte?

Vejamos bem o tamanho da dúvida que, pensando maduramente na vida, temos em nossas mãos!

Não estamos aqui nos reportando, simplesmente, ao fato de sermos perdoados ou não por Deus, pois obviamente, o Pai do céu sempre nos perdoa, mas... nas consequências de nossas ações.

Se alguém sofre agruras materiais, que vão desde a perda de trabalho e falta de dinheiro até o extremo de passar fome ou morais, desde tristeza até o desespero, seria justo que o causador disso tudo fosse para a eternidade no inferno e deixasse a vítima sem o menor ressarcimento?
Pode-se até dizer que a justiça foi feita, pois o ofensor foi pro “quinto dos infernos”, mas e o ofendido?

Sofreu, chorou, verteu lágrimas de “sangue”, muitas vezes viu seus amores também sofrerem e terem seus sonhos dilacerados e depois vai simplesmente morrer?
E a dívida contraída?

Isso não nos parece mesmo um contra senso?

Então como equacionar, racionalmente, essas situações com a figura do Pai justo?
Numa palavra simples, que está presente em todas as culturas, em todos os tempos, desde a mais remota antiguidade: reencarnação!
É este mecanismo que testifica a justiça Divina!

Allan Kardec diz: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar. Tal é a Lei!”
Se analisarmos, sem os prejuízos decorrentes do preconceito, veremos que é a única forma da justiça se fazer. O propósito da reencarnação é o progresso. Capacitar-nos para a função que o Senhor determinou para cada um de nós; prepara-nos para assumir a posição que nos cabe no universo.

Deus nos criou simples e ignorantes, isto é, sem nada sabermos e nos deu a eternidade para evoluirmos e nos tornar perfeitos!
A cada nova oportunidade ou renascimento, temos experiências e aprendizados     diferentes, com diferentes oportunidades.

Todo o cabedal de conhecimentos que adquirimos não se perde com a morte. Fica arquivado em nossa mente e resulta, somatório, em nossa personalidade atual.
Todas as experiências que temos nos trazem sabedoria, que se torna nosso patrimônio inalienável e intransferível.

As aspirações que não conseguimos materializar; sonhos que não conseguimos realizar; situações que não conseguimos vencer poderão ser, em outra reencarnação, materializados, realizados e vencidos.

Nada se perde.
E Nossos débitos?
Independentemente do perdão divino, também ficarão arquivados em nós e, em outra oportunidade reencarnatória, serão quitados.
Por questão de justiça, passaremos pelas situações que fizemos os outros passarem e sofreremos as agruras que fizemos nossos irmãos sofrerem.
Não somente sofreremos pelos erros por nós cometidos, mas ressarciremos “ceitil por ceitil” , segundo as palavras de Jesus, tudo o que tivermos subtraído, desde “coisas” materiais até sentimentos, como tristeza e frustração.

Isso é justiça!
Deus é, sim, justo!
E a reencarnação é sua lei de equilíbrio e progresso.
Não podemos esquecer que foi Jesus quem disse: “necessário é nascer de novo, para ver o reino de Deus!”  
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