05/06/2020 às 19h26min - Atualizada em 05/06/2020 às 19h26min

José Brando, O empresário

Por Albino Montes
Fotografia - Álbum de família de José Brando
Nascido na cidade de Paraíba do Sul- RJ, no dia 06 de abril de 1911, filho de Vitória Nicarello Brando e Braz Brando, italianos, nosso ilustre personagem completaria, se vivo fosse, em abril/2009, 98 anos de idade.

No início dos anos 20, seus pais se mudaram para Leopoldina, José Brando, com cerca de 09 anos de idade, já assumia seu primeiro emprego numa oficina mecânica (Oficina Santo Antônio), depois ingressou na concessionária Chevrolet, onde com dinamismo e muito trabalho chegou à posição de diretor da empresa.

A partir daí, vierem as demais realizações e qualificações pessoais, que o levaram a ser considerado um dos mais dinâmicos e produtivos empresários leopoldinenses: diretor da concessionária Chevrolet; diretor da Distribuidora de Combustíveis Gulf do Brasil; diretor-fundador da “Leopoldina Orquestra”, diretor da Rádio Sociedade Leopoldina; produtor de eventos do Clube Leopoldina; distribuidor de equipamentos de transmissão de rádio, fundador da primeira empresa de ônibus urbanos -“Cata níquel”, nome dado pelo povo da cidade, seu primeiro trajeto foi da Praça da Bandeira ao Alto do Cemitério e seu primeiro motorista foi o “Barnabé”, um rapaz divertidíssimo, cortês e atencioso com todos, por isso mesmo querido dos passageiros.

O José Brando era músico, em meados dos anos 30 fundou o “Elite Jazz”, de que participou como saxofonista, porém, logo logo começou a desenvolver um novo e ousado projeto, foi na época do surgimento, nos Estados Unidos, das “Big Band’s”, o projeto pretendia criar uma orquestra no nível das já existentes no Rio de Janeiro e São Paulo, então criou o conjunto de danças “Leopoldina Jazz”, isso por volta da década de 30. Como a manutenção do novo conjunto estava muito difícil, Leopoldina ainda engatinhava em matéria de formação de músicos mais qualificados, a saída era trazê-los de fora; aí surgiram os problemas das constantes substituições, os troca-trocas de músicos que não se adaptavam, criando situações realmente insustentáveis!

Nos anos 40 o José Brando tomou importante e arrojada decisão, trazer para Leopoldina somente músicos que se comprometessem a fixar residência na cidade: a partir daí foram feitas algumas importantes modificações na organização do dia a dia do “Conjunto”, objetivando dar-lhes mais e melhores condições, que culminou com sua nova qualificações para “Leopoldina Orquestra”.

Conheci nosso ilustre personagem quando, em meados dos anos 40, comecei a participar da orquestra como uma espécie de músico-estagiário. Meu conhecimento com José Brando era a distância, pessoa muito assediada, cheia de compromissos, eu ainda garoto, inexperiente, o admirava muito, porém considerava-o sisudo e mal humorado.

Como José Brando era produtor de eventos do “Clube Leopoldina”, em função dos shows musicais que produzia, dos quais eu participava com o “Regional do Bianor”, isso nos aproximou e pude entender melhor seu jeito de ser e de lidar com as pessoas, especialmente músicos.

As constatações acima levaram-me à conclusão de que não havia nele absolutamente nada de sisudo ou mal-humorado, seu problema era uma excessiva centralização de responsabilidades, resultando numa enorme carga de trabalho!

Quando no final de 1949 o Bembém resolveu deixar a orquestra, o Delorme, meu amigo/irmão e parceiro de participações em movimentos musicais, tanto em Leopoldina, quanto no Rio de Janeiro, foi o indicado para substituição, só que o Delorme estava já determinado a ir para o Rio, o que efetivamente aconteceu, cerca de seis meses depois, foi quando, então, assumi a vaga deixada pelo Delorme, que viajou para o Rio.

Nosso amigo e grande líder José Brando, um ser humano como poucos pude ver, o homem que teve coragem e visão para criar a “Leopoldina Orquestra”, deixou-nos no dia 24 de março de 1982, agora está lá em cima, em alguma estrela olhando por nós!!!
 
( Publicado na coluna “No Tempo do Horácio e do Licínho” no jornal Leopoldinense em abril de 2009. A coluna gerou o livro com mesmo nome, publicado em 2010 por Albino Montes )
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »