30/08/2020 às 22h44min - Atualizada em 30/08/2020 às 22h44min

Pré-candidato a prefeito Pedro Augusto Junqueira concede entrevista exclusiva ao jornal Leopoldinense

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Luiz Otávio Meneghite
Pedro Augusto Junqueira Ferraz
Debater os problemas do município e apontar soluções para os mesmos foi o foco da entrevista com o pré-candidato a prefeito de Leopoldina, Pedro Augusto Junqueira Ferraz. A entrevista foi feita a partir de questionamentos sobre alguns problemas do município, enviados diariamente ao jornal Leopoldinense pelos leitores, via Facebook principalmente. Assim, os diretores do jornal acreditam estar verdadeiramente, contribuindo para o debate democrático.
 
Com vasta experiência em gestão pública, Pedro Augusto Junqueira Ferraz vem construindo um projeto político com visibilidade para um viés econômico que possa colocar a cidade no caminho do desenvolvimento. Criado em Leopoldina desde que nasceu, em 1950, Pedro Augusto tem raízes profundas na cidade. Após sucesso profissional, escolheu Leopoldina para curtir a aposentadoria e continuar com seus projetos. Administrador formado pela Fumec, sua trajetória profissional iniciou-se na Secretaria de Indústria e Comércio de Minas Gerais. A partir de 1978, ao ingressar no BDMG, contribuiu efetivamente com o desenvolvimento de Minas – inclusive, é um dos fundadores do BDMG Cultural. Também foi Superintendente no Bemge, diretor-superintendente do Banco de Crédito Real de Minas e membro do Conselho de Administração da Itambé. Foi ainda Presidente da Coopleste, promotora da Exposição de Leopoldina. É casado com Márcia Ananias, com quem tem dois filhos – os advogados Carolina e Bernardo - e quatro netos.
                           
JL - Fale um pouco sobre sua trajetória pessoal como político e sua experiência como gestor público.

Pedro Augusto – Praticamente durante toda a minha vida profissional atuei na gestão pública, com destaque para o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, o BDMG, onde trabalhei por quase 30 anos. Minha trajetória começou em 1970, quando fui para a Secretaria de Indústria e Comércio de Minas Gerais. Em 1978, já no BDMG, tive a oportunidade de criar modelos de planejamento e gestão que contribuíram para o desenvolvimento do estado e seus municípios. Ainda no BDMG, pude ser um dos fundadores do BDMG Cultural, que era uma área pioneira no país voltada para o incentivo da cultura. Fui alçado ao cargo de Superintendente do Cred Real e do Bemge, em que tive a oportunidade de participar de uma das maiores transações financeiras de Minas, com a privatização dos dois bancos estaduais mineiros. A área rural também sempre foi minha paixão. Por isso, mesmo trabalhando no BDMG, me dediquei aos projetos rurais nas minhas quatro fazendas. Hoje sou produtor de leite e de gado de corte e invisto no plantio de diversas culturas. Além disso, exerci a presidência da Coopleste, promotora da Exposição de Leopoldina, que é uma das maiores e mais bonitas exposições da Zona da Mata mineira.
 
JL - Por que e para que o senhor pretende candidatar-se a prefeito de Leopoldina?

Pedro Augusto – Sempre fui gestor público, mas nunca fui político. Penso que a política só vale a pena quando tem como objetivo melhorar as condições de vida das pessoas, principalmente das mais necessitadas. Só se consegue melhorar a condição de vida dos mais necessitados gerando emprego e oferecendo oportunidades. Moramos em uma cidade que se encontra estagnada há mais de 30 anos, com um modelo político municipal exaurido. Precisamos de mudança e de nova visão. Assim sendo, vejo que devemos caminhar para um viés econômico, com o objetivo de gerar emprego e renda. Leopoldina é uma cidade alegre e agradável, contudo, nossos filhos têm que se mudar para cidades maiores ou capitais porque aqui não tem emprego e possibilidade de crescimento econômico. Com a minha experiência, tenho muito a contribuir com esta comunidade. Sou aposentado, e minha aposentadoria e meus negócios são mais do que suficientes para minha sobrevivência, portanto, não preciso de salário da Prefeitura. Com muito trabalho, ética, planejamento e transparência, queremos fazer com que Leopoldina “trilhe” a estrada do desenvolvimento.
 
 
JL – Quais os problemas que ainda temos no setor de Saúde e o que pretende fazer para melhorar a situação? O que o senhor tem planejado para a Casa de Caridade Leopoldinense?

Pedro Augusto – A Saúde de Leopoldina precisa ser totalmente revista. Como todos os atendimentos médicos deságuam no Pronto-Socorro, é necessário que se invista neste espaço, para que uma pessoa seja atendida de forma ampla, eficiente e digna. É fundamental se firmar parcerias com o hospital ou mesmo parcerias público-privadas. Isso sem deixar de atender, ou mesmo aprimorar, todos os outros programas de saúde já existentes. O poder público também deve ser aliado da Casa de Caridade Leopoldinense, assim como ter uma vontade política forte de investimento esta instituição.
 
JL – Quais políticas de emprego e renda pretende implantar no município para alavancar a economia local? O senhor tem alguma proposta para atrair novas empresas para a cidade? 

Pedro Augusto – Esta é uma área que entendo muito bem. Trabalhei neste segmento toda a minha vida. Primeiro, temos que nos reunir com todos os empreendedores locais, incentivá-los a ampliar seus negócios e ajudá-los a buscar recursos nas instituições financeiras estaduais e federais, para que tenham condições de ampliar suas atividades. Em um segundo momento, o projeto é “vender” a cidade. O prefeito tem que mostrar para outras regiões que Leopoldina é uma cidade boa de se viver e de se investir, e, assim sendo, de atrair médios empreendimentos que gerem emprego e renda para nossa gente.
 
JL - Como ajudar o pequeno agricultor e que propostas o senhor tem para o homem do campo?

Pedro Augusto – Sou apaixonado pela área rural. Mesmo quando trabalhava no BDMG, sempre desenvolvi minhas atividades rurais. Hoje a área rural está abandonada, com estradas em péssimas condições. Nossas pontes rurais continuam sendo construídas de madeira, material que tem uma duração muito curta. Precisamos quebrar paradigmas e rever toda a política de atenção ao homem do campo e fazer uma verdadeira revolução de apoio ao produtor rural, como a implantação de novas culturas no município, principalmente a fruticultura, e incentivar a pecuária de leite e de corte. Temos também que ajudar o pequeno produtor e a agricultura familiar, a fim de desenvolver a produção de hortaliças e alimentos, e desenvolver projetos para avicultura – inclusive, há em Leopoldina uma granja que é a maior produtora de ovos da Zona da Mata mineira. Eu tenho terra no sangue, e se eu vier a ser prefeito da minha terra, a área rural será assistida como merece: de maneira digna e correta.        
 
JL – O que o senhor pretende fazer com os lixões a céu aberto em alguns pontos da cidade, os chamados ‘Bota-fora’? O senhor pretende melhorar a coleta de lixo na cidade?

Pedro Augusto – Nossa cidade está muito atrasada no que se refere à limpeza urbana e à coleta de lixo. A reciclagem, por exemplo, tem que ser trabalhada em seu sentido amplo. A reciclagem de material de construção é um exemplo. Ao invés de ser jogado nos lixões, todo o restante deve ser moído em um grande triturador, e o produto dessa trituração pode ser usado como saibro para conservação de estradas rurais. O meu projeto também é ampliar consideravelmente a coleta de lixo na cidade.    
 
JL - O que será feito para resolver o problema do esgoto que está poluindo nossos córregos?

Pedro Augusto – O esgoto em nossa cidade corre a céu aberto. Um dos grandes problemas brasileiros de saneamento básico, e até mesmo de saúde pública, é a falta de esgoto tratado. Isso é um crime e faz com que aumente o número de doenças.  Tratar o esgoto deve ser prioridade das gestões municipais.
 
JL - Quais os planos para mudar a atual situação das estradas que ligam Leopoldina a Providência e da estrada que liga Leopoldina a Abaiba?

Pedro Augusto – A grande reclamação dos produtores rurais é quanto às péssimas condições das estradas. Temos que fazer com que essas estradas sejam bem cuidadas e transitáveis. Nossa ideia para resolver esta questão é possível de ser executada e cabe no orçamento. É necessário melhorar a condição das nossas estradas e proporcionar mais qualidade de locomoção ao homem do campo.
 
JL - Qual a opinião do senhor sobre a implantação do estacionamento rotativo no centro da cidade?

Pedro Augusto – Sou totalmente a favor da implantação do sistema rotativo, e vou um pouco além. Leopoldina é uma cidade desprovida de qualquer planejamento, seja ele de trânsito ou de sinalização. Não há placas indicativas de localização de bairros, nem mesmo de local onde os prédios da prefeitura e do Fórum estão situados. Precisamos cuidar da cidade também neste sentido.
 
JL - Que providências serão tomadas para resolver o grande número de cães abandonados pela cidade?
 
Pedro Augusto – Esse é um tema muito importante e atual, que tem que ser tratado com todo carinho. É necessário criar em nossa cidade um grande canil e que o mesmo seja administrado de forma técnica e competente. Temos que apoiar a dialogar com as pessoas da causa animal. Para isso, pensamos em firmar parceria com a Universidade Federal de Viçosa, a qual tem modelos de gestão voltadas aos animais de pequeno porte, principalmente os que estão abandonados nas ruas.
 
JL - Por que importantes espaços de lazer e turismo estão abandonados, como por exemplo, o Horto Florestal?

Pedro Augusto – Nossos espaços de lazer, como o Horto Florestal e o Morro do Cruzeiro, estão totalmente abandonados. Temos uma cidade que não se preocupa em manter de maneira adequada as praças e espaços públicos destinados ao turismo. Faz parte de nosso projeto fazer de Leopoldina uma cidade bonita, assim como já fizemos na Exposição Agropecuária, em que levamos para o evento um projeto paisagístico com flores e plantas. O sucesso foi extraordinário. 
 
JL –A Lei Municipal de Incentivo à Cultura Vitalino Duarte, apesar de já ter sido regulamentada, tem sido pouco utilizada. Está nos planos do senhor colocá-la em prática com mais intensidade?

Pedro Augusto – Conheci o Vitalino Duarte e considero essa lei muito importante. Como um dos fundadores do BDMG Cultural, considero a cultura como uma área fundamental. Mas não é somente esta lei ou o nosso tradicional e belíssimo Conservatório de Música que têm que receber incentivo. Temos que apoiar tudo que é ligado à cultura, ao lazer e ao esporte de forma ampla. Somos uma cidade musical, alegre e que tem raízes culturais que precisam ser recuperadas. Temos também que levar o sucesso do Festival de Piacatuba para outros setores. Enfim, temos que fazer de Leopoldina uma cidade festeira e alegre, incentivar o carnaval, as exposições e a prática de diversas modalidades esportivas.
 
JL - Por que algumas praças em bairros estão abandonadas? Por que as calçadas e passeios das ruas da cidade não são cuidados? A prefeitura poderia fiscalizar essa parte?

Pedro Augusto – Mesmo com recursos escassos, temos que ter planejamento adequado para corrigir esses problemas. É obrigação da Prefeitura cuidar das praças, passeios públicos e ruas. Temos que zelar pela manutenção destes espaços, para que Leopoldina seja uma cidade limpa, bonita e bem organizada.
 
JL - O senhor acha que a cidade de Leopoldina atualmente está carente de políticas públicas voltadas para a juventude e consequentemente para a inclusão social?

Pedro Augusto – Nosso esporte e manifestações culturais estão totalmente abandonados. O esporte é fundamental para que o jovem tenha opções de lazer e oportunidades. Pretendemos criar um Campeonato Municipal de Futebol e incentivar outras modalidades, como basquete, vôlei, natação, futebol de mesa, ciclismo e o xadrez. Para quem gosta de contato mais próximo à natureza, nossa intenção é criar rotas para caminhadas. Já para quem é amante de aventuras mais radicais, nosso projeto é trazer para a cidade a prática de voo livre. Temos todas as condições de inscrever o município no Circuito Estadual de Voo Livre.
 
JL - Quais os problemas que ainda temos no setor de Educação e o que o senhor pretende fazer para melhorar a situação?

Pedro Augusto – O que temos de mais importante no Brasil são os brasileirinhos. Mas nossos brasileirinhos estão abandonados de uma maneira geral em nosso país, tanto que os níveis que medem a educação brasileira são baixíssimos. Nós em Leopoldina temos problemas sérios nesta área. Precisamos investir na educação desde a base e rever toda a sistemática educacional. Precisamos também valorizar de forma significativa todo o setor de educação, com professores capacitados e valorizados e escolas bem administradas e com boa infraestrutura. É importante ter um diálogo constante com os professores e demais profissionais ligados à educação, para que nos orientem tecnicamente a fim de que possamos oferecer um ensino de qualidade.
 
JL - O senhor já tem nomes em mente ou pelo menos uma ideia ou perfil de quem o senhor gostaria de ter em sua equipe de governo, caso eleito?

Pedro Augusto – Na condição de pré-candidato, penso que esses cargos devem ser ocupados por pessoas com perfil técnico. Também é necessário reduzir substancialmente o número de secretarias e fundir algumas pastas.
 
JL – Qual será a participação do vice-prefeito em seu governo?

Pedro Augusto – Considero que o vice-prefeito deve participar da gestão e de decisões de forma harmônica. Pode até termos, em determinados momentos, pensamentos diferentes, mas devemos discutir assuntos da cidade de maneira civilizada. A intenção é fazer isso com o vice e vereadores. Sejam eles da situação ou da oposição, temos a obrigação de debatermos, de maneira franca e republicana, todos os assuntos relativos à cidade, e aquilo que for bom para a cidade tem que ser consenso de todos.
 
JL - Qual a sua mensagem para nossos leitores, internautas e para o povo leopoldinense que acompanha esta entrevista como candidato a prefeito de Leopoldina através do Jornal Leopoldinense?

Pedro Augusto – Peço ao povo de Leopoldina que analise de forma isenta o que os pré-candidatos pensam e o que pretendem para os próximos quatro anos por Leopoldina. A situação em que estamos vivendo hoje é algo que não pode continuar. Precisamos mudar a nossa rota, e para isso é necessário que tenhamos alguém que coordene esse projeto. Por isso, mais uma vez, peço ao eleitor que analise de maneira profunda a experiência de vida e o que pensa cada um dos pré-candidatos. Chega de “café requentado”. Precisamos de mudança e de trazer algo novo para Leopoldina
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