31/07/2021 às 08h35min - Atualizada em 31/07/2021 às 08h35min

História da Leopoldina Orquestra vai virar documentário

Produzido e dirigido por Filomena Toledo, produção tem previsão de exibição no final de 2021

Luciano Baía Meneghite
Filó colhendo depoimento de Elpídio Rodrigues (Fotos: Iano e Ricardo Oliveira)
A corporação musical criada por José Brando na década de 30 do século XX a partir do conjunto Elite Jazz e que muito marcou a história da cidade, principalmente entre as décadas de 40 e 60, vai ter sua história contada agora no documentário “Leopoldina Orquestra: patrimônio sonoro da cidade” produzido e dirigido por Filomena Toledo.

Filó, como é conhecida, é especialista em música pela UFMG, licenciada em história pela FAFIC, licenciada em música pela UNIMES.  Professora do Conservatório Estadual de Música Lia Salgado desde 2002 e produtora cultural desde 1992. Lecionou no Centro Cultural Pró Música e no Conservatório Haidde França Americano (Juiz de Fora).  Foi produtora e pianista da Orquestra de Jazz Pró Música, idealizadora e produtora do Pró Jazz Festival (1992 a 2012), produziu CiaCos’é Teatro Dança, Triunvirato Power Trio, TriO’Clock dentre outros. Também produziu o CD “Paisagem” do cantor, compositor e violonista leopoldinense Leo Ribeiro.

Segundo Filó, seu pai, o advogado José Corradini Gorrado, era um admirador da Leopoldina Orquestra.  “Ele dizia que a Leopoldina Orquestra foi o capítulo mais importante da história da música de Leopoldina. Em 1992 estreei como pianista da Orquestra de Jazz Pró Música em Juiz de Fora e meu pai apesar de demonstrar alegria em me ver tocando em uma orquestra, afirmava que a sonoridade não poderia ser comparada, pois a Leopoldina Orquestra era infinitamente melhor”, disse ela ao Jornal Leopoldinense.


Leopoldina Orquestra - Década de 60:  Manoel Monteiro, Vanir Rodrigues, Moacir, Zezé, Jaime, Bianor, Maestro Beleza, Maestro Chiquinho, Antônio, Elpídio, Wagner, Ataíde, Zé Guarda e Rubens Brando.

( Fotografia gentilmente cedida por Albino Montes )


Entre as fontes iniciais de pesquisa para o documentário o livro “Leopoldina, Sua Gente, Sua Música” de Albino Montes, publicado em 2003. Albino Montes, foi músico da Leopoldina Orquestra entre 1949 e 1952 e entre 2005 e 2007, publicou no Jornal Leopoldinense, a coluna “No Tempo do Horácio e do Licinho”, transformada em enredo do Pirineus em 2009 e em livro no ano seguinte.  Albino, falecido na sexta-feira dia 30/07 por complicações do Covid 19, era pai dos jornalistas Robson Leite e Luciana Montes. Residia em Belo Horizonte e nos últimos anos convivia com o Mal de Alzheimer.(Veja matéria) Outra fonte citada pela autora do documentário são as imagens publicadas na Memória Leopoldinense.

“Quando fui presenteada com os livros do senhor Albino Montes, pela amiga Natália Montes (Sobrinha do autor), pude comprovar que meu pai não estava enganado. Iniciei a pesquisa sobre a orquestra com o intuito de trabalhar com os meus alunos sobre a história da música da nossa cidade. Encontrei no Jornal Leopoldinense fotos da orquestra e seus músicos e pesquisei publicações dos jornais da época, mas não foi o suficiente para contar a história da orquestra, seria importante conversar com os músicos que fizeram parte da Leopoldina Orquestra.  Foi assim que surgiu a idéia de produzir um documentário. ”

Filomena afirma que o objetivo principal do documentário é o registro da memória musical de Leopoldina em meados do século XX. Um capítulo importante da história da música da cidade que vem sendo paulatinamente apagada pelo tempo e pela carência de registros históricos.

“Julgo importante a valorização, no tempo presente, do patrimônio histórico e cultural da cidade de Leopoldina, por isso a proposta é registrar também o contexto sócio cultural em que a orquestra estava inserida. Nosso objetivo é produzir conteúdo audiovisual através dos registros orais de pessoas que vivenciaram o momento histórico a qual elegemos, material este que será disponibilizado   para futuras pesquisas”, completa ela.

Entre as dificuldades da produção, as principais foram as restrições devido a pandemia   causando o atraso nas filmagens.  Foi preciso esperar os entrevistados receberem a segunda dose da vacina, respeitar o distanciamento e os protocolos sanitários.

Entre os depoimentos já gravados estão os dos músicos Elpídio Rodrigues, Ataíde Pontes e Wagner Nogueira, das cantoras Edy e Irandy, filhas de Argemiro Bitencourt, primeiro maestro da orquestra,  e do professor Sérgio França.

“A maior surpresa foi o grau de envolvimento dos entrevistados, da equipe e dos apoiadores. Aproveito para agradecer e enaltecer a importância de todos os envolvidos”, finalizou Filó.


Entre os realizadores do documentário está Ricardo Oliveira (Filmagem, assistente de edição e montagem) Ricardo é músico e arranjador, atua nas bandas Surfa, TTChong, Improviso Etílico e Porteira Elétrica. Já se apresentou em Festivais como Webfest Valda e Itaúnas Reggae Festival,gravou um documentário e participa de vários coletivos no audiovisual e na música.

Iano Almeida Oliveira (Direção de fotografia e assistente de produção). Iano é professor e gestor cultural. Atua em diversos projetos sociais e educativos na região da Zona da Mata mineira. É idealizador e coordenador do “É Tudo Criança” – Festival de Cinema Infantil. Tem experiência em projetos de arte-educação, memória, oralidade, patrimônio histórico e imagem.

O lançamento do documentário está previsto para o final do ano concomitante a uma exposição no Centro Cultural Mauro de Almeida.

A produção está sendo possível graças à Lei Aldir Blanc – Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina.
 
 
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