20/08/2014 às 10h01min - Atualizada em 20/08/2014 às 10h01min

O INTERIOR BRASILEIRO

Avaliando alguns dados interessantes sobre os municípios brasileiros verificamos as desigualdades existentes e, por conta disto, as condições sociais, econômicas e as características do deslocamento das pessoas do campo para as cidades e entre as cidades. Na microrregião de Governador Valadares, por exemplo, composta por 25 municípios, constatou-se entre os anos de 2000 e 2010 que a população total dos municípios reduziu em dez deles, ou seja, 40% do total.  Quando analisamos a população rural dos municípios a situação piora com queda do numero de pessoa em 22 deles, 88% do total. A renda per capta destes municípios gira em torno de 70% do salário mínimo, muito abaixo se compararmos a cidade sede desta microrregião em que a renda per capta da população é de 1,4 salário mínimo.

Mas, de todos os fatores analisados o que mais impressiona é a distribuição de renda. Quando avaliamos este fator, mais da metade da receita  das cidades fica nas mãos dos 20% mais ricos, enquanto menos da metade da renda das cidades vai para as mãos dos 80% restante das pessoas. Isto acontece de forma mais intensa em algumas cidades da região como Nacip Raydan onde 63% da renda da cidade fica nas mãos dos 20% mais ricos enquanto 37% nas mãos dos 80% das pessoas de menor renda. Outras cidades da região como  São José do Divino,  Mathias Lobato, São Geraldo da Piedade e Itanhomi apresentam distribuição de renda muito desigual, com valores próximos a Nacip Raydan.  Este problema pode ser observado pelo índice GINI que avalia a desigualdade na distribuição de renda dos municípios. Nestes casos os valores estão próximos a 0,6 em uma escala que vai até 1,0, valor considerado elevado. Para se ter um parâmetro de comparação, o índice GINI de Minas Gerais é de 0,476.

Os números são claros e podem explicar o grande êxodo que ocorre nas pequenas cidades de diversas microrregiões do Brasil. As atividades agropecuárias dos pequenos produtores rurais são pouco valorizadas e de reduzido retorno econômico, isto quando não dá prejuízo. Nas sedes destas cidades os empregos também são escassos e quando surgem, são de baixa remuneração.  Alguns empreendedores que se instalam nestes municípios costumam dominar os setores comerciais e produtivos pela falta de concorrência concentrando a renda e pagando baixos salários. A saída imediata passa a ser o município sede da microrregião onde se concentra a grande maioria dos recursos financeiros, os salários são melhores e se tem uma maior garantia do cumprimento das normas trabalhistas.   Algumas pessoas sonhando com voos mais altos se deslocam para a capital do estado e até mesmo para o exterior.

Uma política de fixação do homem no interior deve ser implementada rapidamente e de forma efetiva considerando que o inchaço das cidades sede de regiões administrativas estão  cada vez mais intensas por conta das migrações em busca de oportunidades de crescimento e melhoria da qualidade de vida. Enquanto isto, as pequenas cidades reduzem de tamanho, praticamente desaparecendo do mapa, servindo apenas para atividades políticas de grupos específicos. O estado deve levar o desenvolvimento para o interior sob o risco de aumentar cada vez mais os problemas dos grandes centros urbanos como a ocupação desordenada do solo e a violência. 

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