28/07/2016 às 10h14min - Atualizada em 28/07/2016 às 10h14min

Da minha janela

Da minha janela, na calmaria de uma manhã fria e ainda cinzenta, observo  a vida  da cidade que desperta  para mais um dia agitado. Em meio a paisagem destacam-se alguns ipês que se encarregam de dar colorido à cinzenta manhã. São ipês rosa que nesta época do ano vestem-se de gala roubando mesmo a cena. São lindos, majestosos e ao mesmo tempo de uma simplicidade encantadora.
 
Bem ao pé do ‘Morro do Cruzeiro’, uma pequena árvore quebra a monotonia  entre  a vegetação. É ainda uma árvore pequena,  mas seu destino será no futuro reinar soberana, florir e encantar   a  todos que amam os ipês, pois ocupa um lugar privilegiado.
 
Caso o famigerado ‘progresso a alcance, transformando seu espaço em lotes, ruas ou praças de concreto sentirei sua falta e lamentarei bastante sua sina. Fosse eu arquiteta, paisagista, respeitaria com meus projetos a esplêndida natureza. No entanto,sou apenas alguém que se preocupa com o lugar onde vive. Sou apenas alguém que sonha em ver seus filhos e netos desfrutarem  de espaços bem cuidados, floridos como as árvores de ipê que enfeitam vários pontos de nossas ruas. Fosse eu responsável pelo embelezamento dessa cidade, aplicaria severas multas nos destruidores dos oitis e de espaços públicos.
 
Não concordo definitivamente com a destruição que alguns moradores promovem com podas destruidoras alegando o não cumprimento da poda das árvores pela prefeitura. Não compete a mim,defender ou acusar  de descaso  os encarregados desse serviço. Acredito que nenhum dirigente público gostaria de ver sua cidade destruída  no que tem de mais belo: seus oitis.
 
Espero e acredito que a poda correta ainda possa acontecer e que as pessoas se conscientizem  da necessidade de uma rua arborizada e não se  esqueçam de que o verão em breve baterá em nossas portas  e os inimigos dos oitis, aqueles que fazem questão de destruí-los, sofrerão seus efeitos em maior escala. Perderão sua sombra e suas casas serão aquecidas impiedosamente.
 
Quanto aos ipês, continuarei a admirá-los daqui do alto onde moro, pedindo a Deus que os conserve lindos, maravilhosos para que façam outras pessoas felizes, transmitindo-lhes a mesma paz que hoje senti.
 
Apesar da manhã nublada, eles iluminaram as primeiras horas do meu dia.
 
Que sejam eternos!
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