18/04/2014 às 13h05min - Atualizada em 18/04/2014 às 13h05min

A ignorância já não nos protege mais!

A ignorância já não nos protege mais!

Maurício Teixeira
Festa RAVE!
Nome bonito, interessante, estiloso...
Ainda mais quando é falado pelos jovens assim: “I`m going to rave party!”
Aí os pais deliram, pois o SEU pimpolho, além de tudo, é poliglota!!!!!
Mas será que realmente sabemos o que é uma festa dessas e suas implicações?
Para início de conversa, temos que entender o significado do termo, pois é uma palavra alienígena em nosso vocabulário.
Segundo o dicionário, RAVE pode ser:
Rave:  (Substantivo masculino singular) delírio; fúria ou
To Rave: (Verbo) delirar; enfurecer.
Vejamos esta associação:
 “and then listen to the other pilots rave about the experience of flying in front of a million people.” (e depois ouvir os outros pilotos falarem enlouquecidos com a experiência de voar defronte a um milhão de pessoas.)
Entendemos, então, que o termo, em qualquer de suas acepções, refere-se à Exasperação, pois delirar, enfurecer, enlouquecer são estados alterados de consciência.
Podem alguns falar que não é bem assim...
Passemos adiante.
A duração desses eventos é longa, durando até 24 horas.
A música ouvida é, geralmente, eletrônica e em alto volume.
O consumo de bebidas alcoólicas é intenso.
A única dúvida ( ??????? ) é sobre a utilização de drogas ilícitas nestes ambientes.
Inúmeras pessoas já foram presas portando cocaína, maconha, exctasy e outras drogas ilícitas, mas fora do ambiente das festas, o que, de certa forma, isenta os organizadores da responsabilidade do fato.
Agora perguntamos: se num jogo de futebol, após o término da partida, duas torcidas se enfrentam em brigas homéricas, como temos visto acontecer frequentemente, não são responsabilizados os clubes também? E estes não são penalizados?
Não estou dizendo que há a obrigatoriedade da utilização de drogas nestes ambientes nem que todos os que lá se encontram são usuários destas!
Acontece que, num ambiente propício como este, onde bebida alcoólica é servia a rodo (mesmo sendo caríssima a dose!) haverá muito mais facilidade para a introdução de psicoativos mais potentes do que em outro ambiente qualquer, pois sabemos pelas pesquisas que o álcool é a porta de entrada para todas as outras drogas.
E cá entre nós...
Eu, como a totalidade da população acima de 35 anos, já fui jovem e sei que é humanamente impossível se permanecer pulando uma noite inteira sem que, para isso, nos utilizemos qualquer tipo de “bengala”.
Tem ainda a situação da música eletrônica...
Testes sérios e pesquisas idôneas demonstraram que sons repetitivos e inalterados como bater de um tambor ou a repetição da mesma parte de uma melodia, têm efeito hipnótico sobre o nosso cérebro.
Imaginemos, então, estes sons tocados em alto volume (infelizmente dentro dos padrões da legislação vigente) e repetindo-se, ininterruptamente, durante horas, nos ouvidos de nossos jovens...
Sem falar nos famosos déficits de atenção, não serão estes alguns dos motivos para que, ao olharmos suas fisionomias, os vejamos com o aspecto cansado?
Ou será que não estamos nos dando conta de que nossos jovens estão cada vez mais belos, mais altos e mais cansados de tantas experiências deste porte?
Bem...
Eis as festas RAVE!
Parafraseando Shakespeare: “ir ou não ir, eis a questão”
Cobrar ações educativas ou mesmo coercitivas do poder público? Das Polícias? Do Ministério Público? Acho que não é somente por aí...
Nossos filhos estão lá! Com ou sem a nossa autorização (palavra vazia hoje pois nos omitimos tanto que agora é difícil para eles nos ouvirem...)
Nós transferimos para o estado a tarefa de educar nossos filhos... novos Espartanos, esquecidos de que a escola forma o cidadão, mas o homem é formado no lar!
Aos jovens, um apelo: por mais chamativa que seja, pense muito antes de ir...
Aos pais e responsáveis que se eximiam de opinar por falta de conhecimento, um aviso: A IGNORÂNCIA JÁ NÃO NOS PROTEGE MAIS.
Mauricio Teixeira é presidente do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (COMAD), do Município de Leopoldina, MG
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