26/08/2016 às 08h44min - Atualizada em 26/08/2016 às 08h44min

A escrava Isaura de Bernardo Guimarães

WALDEMAR PEDRO ANTÔNIO
     Bernardo Guimarães (1825-1884) foi um romancista e poeta brasileiro . "A Escrava Isaura" foi o seu romance mais popular. Estreou como poeta com "Cantos da Solidão", mas foi como romancista que seu nome ganhou destaque. Foi considerado o criador do romance sertanejo e regional, ambientado em Minas Gerais e Goiás. 
 
  Escrito em plena campanha abolicionista (1875), o livro conta as desventuras de Isaura, escrava branca e educada, de caráter nobre, vítima de um senhor devasso e cruel.

   O romance “ A Escrava Isaura “ foi um grande sucesso editorial e permitiu que Bernardo Guimarães se tornasse um dos mais populares romancistas de sua época no Brasil. O autor pretende, nesta obra, fazer um libelo anti-escravagista e libertário e, talvez, por isso, o romance exceda em idealização romântica, a fim de conquistar a imaginação popular perante as situações intoleráveis do cativeiro.

      Baseado  na  história  de  dois  amores – a  escrava Isaura reclamada  por seu senhor , Leôncio , ou simplesmente amada por  um rapaz,            Álvaro , a  trama  se  resume nesse  “  amor  de  perdição “  e “ amor  de  salvação “ , com  a idéia  bem romântica de  defesa  da liberdade  individual e da colocação do sentimento além e até em oposições às  convenções legais .

     O romance acontece no município de Campos de Goitacases,  localizado  no Rio de Janeiro, e também na cidade de Recife. Isaura era a filha de uma escrava muito bonita, que por não ter se sujeitado aos desejos sórdidos do comendador Almeida, o dono da casa, acabou sofrendo as mais terríveis privações. Isaura  era fruto do relacionamento de sua mãe com seu feitor, chamado de Miguel, um homem bom e que não se sujeitava aos mandos e desmandos de Almeida. Mas, apesar disso, foi criada como filha pela família que servia. A mulher do comendador queria libertar Isaura, mas nunca chegava a fazer pelo desejo de ter sempre companhia por perto.

     Quando o comendador finalmente se aposenta, seu filho Leôncio passa a tomar conta da fazenda. Este por sua vez, herdara do pai todos os maus instintos e toda a sua devassidão. Apesar de ter ido morar na fazenda, com sua mulher Malvina e seu cunhado, Henrique, Leôncio logo se viu cego de amor pela jovem escrava branca.

       A mãe de Leôncio morre sem antes deixar seu desejo de libertar Isaura em testamento. Percebendo as intenções de seu cunhado para com Isaura, Henrique se oferece para ser o amante da escrava branca, em troca de sua liberdade. O jardineiro da fazenda, considerado um ser humano desprezível e disforme também se oferece como amante. Mas, Isaura, simplesmente não dá a mínima para ambas as propostas e revela seu desejo de se casar por amor. Ao perceber o interesse de seu marido, Malvina sentencia: ou Isaura ou eu.

     Neste contexto, Miguel, pai de Isaura , chega com dinheiro suficiente para comprar a liberdade dela, conforme o comendador havia prometido. Mas, Leôncio não  aceita o dinheiro, muito menos libertar a jovem. Malvina continua a pressionar o marido para que ele a liberta, mas diante de todos os adiamentos e desculpas de Leôncio, decide voltar para a casa de seu pai. Era o que faltava para que ele passasse a investir de maneira indecente em Isaura, que resistia, mas era constantemente ameaçada com torturas.

      Miguel então decide fugir para o Norte com Isaura e essa, muda seu nome  para Elvira e seu pai, para Anselmo.
       Quando conhece Isaura, Álvaro fica impressionado com tanta beleza. Por diversas vezes, a jovem tentou contar ao amado que era uma escrava fugida, mas sempre acabava perdendo a coragem.

        Ao irem  a  um baile, Isaura se destaca no meio de todas as mulheres, por saber tocar muito bem piano e também pela sua beleza. Martinho, um jovem estudante, acaba reconhecendo-a  e provoca um escândalo, fazendo com que Isaura confessasse na frente de toda a sociedade que era uma escrava fugida. Sem conseguir levá-la, já que Álvaro defendeu a jovem, Martinho informa através de uma carta para Leôncio, que havia localizado a sua escrava.

       Uma intensa briga se desenrola quando Leôncio aparece de surpresa, exigindo levar a jovem escrava embora. Ele ainda tinha em mãos um mandado de prisão contra Miguel. Surpreendentemente, Isaura se entrega ao senhor.

       De volta à fazenda, Isaura fica na mais completa reclusão. Seu senhor, iria  precisar de dinheiro, por isso, volta com Malvina. Na cadeia, Miguel tenta persuadir sua filha para que se case com o jardineiro da fazenda, Belchior, em troca de sua liberdade e da filha.

       Sem mais esperança e forças para lutar, a jovem escrava aceita o desafio. No dia do casamento, Álvaro chega de surpresa à fazenda e informa que havia comprado todos os créditos de Leôncio, que a essa altura estava falido, e se torna dono de tudo, inclusive a fazenda e todos os escravos. Isaura nem acredita em sua sorte. Leôncio jura que nunca irá implorar a sua generosidade para abrandar a dívida. Ele se ausenta da sala e se mata.

        Circundando  a  realidade  fictícia  surgem  os  costumes  do  Brasil  da época , numa  visão  mesclada de  nacionalismo com exaltação ao povo, através dos encantos da escrava mulata , a “ perfeita  brasileira “. Em  crítica consciente  dos fatos  e baseado na ideologia , ressalta  a futilidade , a vaidade  mesquinha  e  hipócrita  das  senhoras  de  sociedade , movida pelo amor-próprio , pela  curiosidade , inveja e vingança . É  a  acusação  direta ao  proprietário de terra explorador  dos  fracos , que  corrompe           -  pela sanha do lucro e poder  do  dinheiro -  a justiça  e  a  autoridade .

Ao  lado da sociedade  de  Recife ou da usurpação de direitos individuais pelo  fazendeiro Leôncio, há valorização dos humildes , dos escravos com suas intrigas , seus deveres , mas com uma ingenuidade santa e seus suplícios . Numa  classe intermediária , sem a pompa do ricaço nem a miséria do escravo , Isaura e seu pai , no Recife , representam a classe média , simples, num ritmo pacífico de vida acomodada , com os costumes típicos de uma época em que o tratamento por “ tu “ , entre os namorados , era já um sinal de intimidade e compromisso estabelecido entre eles .

   “  A  Escrava  Isaura “  é  a  história de  um  romance  puro , sincero , tendente  a  concretizar-se pela  força  sobre-humana que  envolve  o  ser  amado e  impulsiona-o à  conquista  do  que  lhe  é negado , sempre acompanhando  a  fatalidade do seu  sentimento  com a fatalidade  da  luta  e  da  vitória .

Waldemar  Pedro  Antonio             
  GOTLIB , Nádia  Battella   . “  Artigo  sobre  “  A  Escrava  Isaura “  de  Bernardo  Guimarães   “ .                                                    
                                                             Coleção   Jabuti  ,   2 ª.  edição , S.  Paulo ,  1970 .
www.resumoescolar.com.br/.../resumo-do-livro-escrava-isaura-o-protagonista-e-o-antagonista
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