21/05/2021 às 14h38min - Atualizada em 21/05/2021 às 14h38min

População não vacinada registra aumento no número de óbitos em Minas Gerais

Óbitos de pessoas mais jovens e que ainda não receberam imunização foram as únicas faixas etárias que registraram crescimento absoluto e percentual superior a 50%

Alexandre Lacerda, Clara Sasse e Lívia Dâmaso (*)
Cemitério de Leopoldina tem 95 mortos pela COVID-19. (Foto de João Gabriel Baía Meneghite)
O aumento percentual de mais de 50% no número de óbitos por Covid-19 de pessoas mais jovens, na faixa etária entre 20 e 59 anos e, um pouco menor, na faixa dos 60 aos 69 anos, contabilizados pelos Cartórios de Registro Civil do Brasil no mês de abril, o pior desde o início da pandemia em Minas, são claros em apontar que a vacinação em massa de sua população é o melhor caminho para a crise de saúde pública causada pelo novo coronavírus.

Ainda aguardando o cronograma de vacinação para suas idades em Minas Gerais, a população mais jovem viu crescer os números absolutos e percentuais de óbitos em abril, mesmo quando comparados a março deste ano, que até então tinha sido o mês com maior número de mortes causadas pelo novo coronavírus no Estado, e também em relação à média de mortes de sua faixa etária desde o início da pandemia.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (http://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Em Minas, a faixa etária que registrou o maior percentual de aumento em relação à média desde o início da pandemia foi a da população entre 30 e 39 anos, com crescimento de 67% no número de óbitos em abril na comparação com o período que vai de março de 2020 a março de 2021. Os números absolutos de falecimentos desta faixa etária também aumentaram em abril, passando de 290 em março para 382 no último mês.

Na sequencia, a faixa etária que vai dos 20 aos 29 anos viu o aumento do número de óbitos crescer 54% em relação à média para esta faixa etária desde o início da pandemia. O crescimento também se deu nos números absolutos em relação a março, passando de 68 para 108. O mesmo aconteceu com a faixa etária dos 40 aos 49 anos, que também teve um aumento percentual de 54% nos óbitos e nos números absolutos de falecimentos em relação a março, passando de 621 para 759. Outra faixa etária que registrou crescimento foi a de pessoas entre 50 e 59 anos, com óbitos aumentando 45% em relação à média desde o começo da pandemia, com óbitos passando de 1.180 em março para 1.418 em abril.

Ainda em crescimento, mas em patamares inferiores, a população entre 60 e 69 anos registrou aumento de mortes de 28% em relação à média desta idade no período, e um aumento de falecimentos passando de 1.994 em março para 2.327 em abril. Pessoas com idade entre 70 e 79 anos, que começaram a ser imunizadas no último mês no Estado, registraram um aumento de mortes de 4% e um aumento de falecimentos que passou de 1.994 para 2.310. Nas demais faixas etárias, já imunizadas com a segunda dose da vacina, o número de óbitos caiu em relação à média desde o início da pandemia, reduzindo 48% entre 80 e 89 anos, e 62% na população entre 90 e 99 anos.

Ranking Estadual

Minas Gerais registrou aumento de óbitos acima da média nacional nas faixas etárias entre 20 e 29 anos e 30 e 39 anos, totalizando crescimentos de 67% e 54% respectivamente, enquanto no Brasil estes crescimentos foram de 38% e 56%. Já a população com idade entre 40 e 49 anos e 50 e 59 anos do Estado registram falecimentos abaixo da média nacional, com 54% e 45% respectivamente, enquanto os números nacionais apontaram crescimento de 57% e 54%.

Todos os Estados brasileiros registraram aumento de óbitos na faixa entre 40 e 49 anos na comparação com a média desta idade desde o início da pandemia e 15 deles estiveram acima da média nacional. À frente deste ranking está o Rio Grande do Norte, que registrou aumento de 154%, seguido por Santa Catarina, aumento de 118%, Sergipe, crescimento de 101%, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, aumento de 94%. São Paulo e Rio de Janeiro, com 66%, e Distrito Federal, com 58%, também estiveram acima da média nacional.

Já na faixa etária entre 30 e 39 anos, 22 Estados registraram crescimento em abril em relação à média do período, sendo que 12 deles acima da média nacional. Os aumentos foram maiores nos Estados do Mato Grosso do Sul (103%), Goiás (97%), Rio Grande do Norte (94%), Mato Grosso (92%) e Distrito Federal (90%). A lista tem ainda Paraná (75%), São Paulo (73%) e Rio de Janeiro (59%).

Na última faixa com crescimento nacional acima de 50%, entre 50 e 59 anos, novamente todos os Estados brasileiros registraram crescimento, sendo 16 deles acima da média nacional. Os maiores aumentos foram nos Estados do Rio Grande do Norte (152%), Pará (105%), Rio Grande do Sul (80%) e Acre (73%). O Paraná registrou aumento de 59%, Distrito Federal, de 58%, São Paulo, de 56%, e Rio de Janeiro de 54% nesta faixa etária.

Sobre a Arpen-Brasil

Fundada em setembro de 1993, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) representa a classe dos Oficiais de Registro Civil de todo o País, que atendem a população em todos os estados brasileiros, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, o casamento e o óbito.

(*) Assessores de Comunicação da Arpen-Brasil
 

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