21/04/2014 às 12h02min - Atualizada em 21/04/2014 às 12h02min

A Leopoldina de 1961

Por Átila Lacerda da Cruz Machado.

Átila Lacerda da Cruz Machado.
Acervo - Jornal Leopoldinense

Cidade Menina

Aconchegada no berço do vale, ternamente guardada por montanhas que fazem ciranda, vive a cidade menina.

Cidade menina, cem anos já tens!

Tuas ruas se alongam, se espraiam, subindo e descendo, bordadas de casas de pobres e ricos, de pretos e brancos, de belas crianças e moças gentis.

Cidade morena, cidade catita, cidade adorável, cidade bonita!

Cigarras que cantam em tardes dolentes!
Ipês que florescem bordando de ouro teu céu tão azul...

Palmeiras reais, brincando com o vento, sussurros em surdina histórias sem fim...

Cidade do estudo, Atenas da Mata, teus filhos se esforçam e buscam o saber. São moços que sonham, são homens que lutam, crianças que brincam e te ajudam a crescer!

No teu campo santo, tranquilos repousam aqueles que foram buscar o Senhor; são filhos diletos, jamais esquecidos,por todos chorados, lembrados com amor...

Tua gente tão dócil, tão simples e ordeira, que reza à mineira, que sua e trabalha e cumpre o dever. E à noite, nos bares, escuta no rádio novelas de amor que a faz reviver.

Que gosta de dança, que pula que dança e faz carnaval!

Cidade menina, que encanto tu tens!

Nas noites de lua os teus namorados vão todos pra rua, ali, no jardim, morenas e louras, meninas tão puras, que ouvem as juras e creem no amor...

Cidade esportiva que acorda com a bola na ponta do pé; Azeite, Bolacha, Barão, Adonai, Três Rios, Ié!
Trenzinho ramal que sai apitando, soltando fumaça e volta correndo, só foi ao arraial...

A “Rio-Bahia”- Fita gigante-enlaça e abraça o Norte e o Sul! Por ela se escoam riqueza sem igual: são pilhas de sacos que correm rodando no bojo dos carros e dos caminhões...

São homens que passam, são seres que lutam, que pensam e labutam por um ideal!

Os lírios do campo enfeitam as estradas de um branco sem par. No talhe e na alvura, na pompa das vestes, nem o Rei Salomão os pôde imitar!

Cidade leiteira, campeã brasileira do gado vacum... Que leite gostoso! Igual, no Brasil, não há mais nenhum!

Tecidos de fama, Lonita e Avaré; e o doce de manga, manteiga e o café?

Cidade que cresce, sadia e louçã, que deu ao país, pra orgulho da raça, o Bismutilan!

A “Santa Cecília” - a banda briosa faz alvorada, toca em leilão; brilha em retretas, rebrilha em festejos e na procissão!

Ao teus desvalidos, menina cidade, ampara-os com amor: Asilo e Orfanato são lares felizes que espantam a dor...

Menina que cresce na ânsia incontida do Bem Cultuar:- Sê Livre e Trabalha, pois todo o Progresso só é conferido a quem sabe lutar...

Felizes daqueles que em tão boa hora nasceram aqui...

Cidade tão calma, de povo tão nobre, igual? Nunca vi!

Felizes daqueles que em tão boa hora nasceram aqui...

Átila Lacerda da Cruz Machado

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