Segundo dados históricos há 144 anos desembarcaram em Leopoldina as primeiras famílias de imigrantes italianos, pioneiros das muitas outras que viriam para nossa cidade de lá em diante e aqui construíram suas vidas, claro que com dificuldades, limitações idiomáticas, culturais, econômicas, laborais, dentre outros aspectos e problemas que certamente os colocaram frente a frente com seus propósitos imigratórios... e pouco a pouco os superaram.
Integraram-se à História Leopoldinense; trouxeram sua culinária; seus hábitos e costumes familiares; suas danças; suas músicas; tempo passando e os pioneiros falecendo; seus descendentes, apesar dos nomes de famílias preservados, foram-se “distanciando” das suas origens italianas; e, num “quê” de total abrasileiramento, tais origens e costumes quase caíram no esquecimento.
Através dos anos, nossa conterrânea Nilza Cantoni tornou-se competente pesquisadora histórica, genealógica e econômica, “destrinchando” antigos documentos pessoais, cartorários, arquivos paroquiais locais e regionais, acervos de Arquivos Históricos Estadual e Federal, enfim, “garimpando” História para onde o “fio da meada” indicasse qual rota a seguir.
Formando dupla com Luja Machado que também atua como pesquisador, foi criado nas imediações da Boa Sorte, conviveu com descendentes dos imigrantes, tiveram atenção despertada para a Imigração Italiana e a quase total ausência de informações e dados sobre tão importante fase socioeconômica leopoldinense, instigando-os a pesquisar, levantar os respectivos dados nas mais diversas fontes, registrá-los, disponibilizá-los à História Leopoldinense, e assim o fizeram a partir do ano de 1998.
Sem quaisquer interesses comercial/financeiro deles no empreendimento de tão minucioso e exaustivo trabalho, houve sim, o propósito de registrar tal processo imigratório através de fotos, documentos, cartas, depoimentos, relatos orais/gráficos, estímulo às pessoas a contar suas “Histórias de Vida” sob a condição de descendentes daqueles pioneiros, num resgate das identidades genealógicas de milhares de ítalo-descendentes... leopoldinenses.
O resgate identitário foi de tal importância que ano a ano a Imigração Italiana foi-se tornando assunto tratado com familiaridade tanto pelos ítalo-descendentes quanto pelo restante da população.
Então, para resgatar, vivenciar, comemorar, dançar, alegrar, conviver, saborear pratos típicos, vinhos e outras “italianices” mais, em 2020 foi realizada a I Festa do Imigrante Italiano de Leopoldina, criando um novo evento no calendário comemorativo leopoldinense, com apoio público, empresarial e da população em geral.
A Festa, já no sétimo evento, se mostra a cada ano mais grandioso e participativo, ratificando que a “semente” selecionada, plantada, cultivada e cuidada pelos conterrâneos Nilza e Luja gerou muitos “frutos”, surpresas, amorosas e fraternas confraternizações, resgates de origens familiares, tudo isso anualmente condensado nas Festas dos Imigrantes de Leopoldina, resultado que , infiro, eles jamais imaginariam ocorrer, pois seus propósitos eram trazer à “luz” a História da Imigração Italiana para Leopoldina... e trouxeram!!!
Ante o enriquecimento histórico leopoldinense para o qual Nilza e Luja ano a ano vêm contribuindo com suas pesquisas, artigos, publicações e livros; a importância histórica e sociocultural de tais trabalhos; não tenho dúvidas de que eles, honrosamente, figuram destacada e meritoriamente no rol dos LEOPOLDINENSES BENEMÉRITOS.
Edson Gomes Santos, 17/05/2026