O mês de junho começou como os versos de uma música do Paulinho Moska:
“Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim”
No final da manhã do primeiro dia de junho, recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento de Luiz Otávio Meneghite, uma graça de pessoa! Exímio jornalista e profundo conhecedor das histórias da nossa cidade, Luiz Otávio estabeleceu conexões importantes entre história, política, cultura e jornalismo com respeito, retidão e independência. Lutou com bravura neste pequeno município que experimentou, por décadas, a polaridade política acirrada e desmedida. Poucos tiveram a mesma postura de manter-se como “a consciência crítica da cidade”.
De nome, eu já o conhecia há muito tempo, acho que desde sempre. Mas só recentemente passamos a ter algum contato mais próximo por conta das publicações de minhas crônicas, que tive a honra de merecer um espaço no Jornal Leopoldinense. Mensalmente trocávamos mails e ele sempre, elegantemente, gentil e simpático.
É certo que, vez ou outra, tivemos contato profissional em razão de alguma demanda para publicações de editais, avisos, publicidades etc. Recordo-me agora de uma situação inusitada que eu considero como sendo o meu primeiro contato pessoal com o Luiz Otávio.
Há alguns poucos anos, eu recebi um telefonema do Adilson Velasco, que me “intimava” a passar no cartório ainda pela manhã (estes telefonemas eram bem comuns e corriqueiros). Pelo tom ao telefone, julguei ser urgente. E era urgentíssimo, pelo menos para o Adilson. Ele entregou-me uma caixa de papelão com uma meia dúzia de pencas de banana prata bem maduras, com instrução para dividir com o Luiz Otávio: “Ele é seu vizinho e você fica com o compromisso de entregar na casa dele. É só isto que eu queria contigo hoje. Resolve isto hoje, a banana não pode esperar, já está madura!”. Assim eu fiz, bati na porta do Luiz Otávio e entreguei as 3 pencas. Daí para frente, repeti entregas de bananas algumas vezes. Sempre na delicadeza do Adilson!
Em meados de 2023, recebi com pesar, a notícia que o Jornal Leopoldinense deixaria de existir na versão impressa e ficaria somente na versão digital. Tocada por esta notícia, escrevi a primeira crônica e enviei ao Luiz Otávio, que, de pronto, respondeu: “Excelente, Helenice! Simples assim (título da crônica).”
Dias depois, recebo outro mail: “Helenice, Preciso de uma foto sua colorida para produzir a vinheta padrão de sua coluna no site. Gostaria de postar a sua crônica no site e outras futuras”. Desde então, Luiz Otávio me faz a gentileza de manter minha humilde coluna no Jornal Leopoldinense. Gentileza que se estende a toda equipe do Jornal Leopoldinense e em especial a Maria José, sua esposa e amiga de longa data de minha mãe.
Enfim, ontem nos despedimos com imensa tristeza deste querido que nos deixará saudades, mas que certamente será recebido com imensa alegria noutra dimensão. Resta a mim, a enorme gratidão pelo encontro e o desejo que familiares e amigos encontrem conforto para tamanha perda.
Helenice Fonseca (03/06/2026)