26/08/2024 às 08h10min - Atualizada em 26/08/2024 às 08h10min

Tempo e Amizade (parte III)

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Helenice Fonseca
A imprevisibilidade de uma amizade é algo que transcende ao nosso entendimento. Não sabemos quando e nem como vai acontecer. É como uma surpresa, um presente Divino!

Primeiro chegou a Silvia. Ela veio como visita, passou alguns dias na minha casa e com aquele jeito bastante espontâneo foi como quem voltaria... e voltou. Até então, nossa amizade era superficial, mas com muitos sinais de aprofundamento. Tempos depois ela voltou para passar uma temporada: o destino reservou a ela a oportunidade de emprego aqui em Leopoldina e ela veio morar conosco. Ficou até as vésperas do seu casamento. Foi um tempo ótimo que deixou ótimas lembranças e saudades.

Silvia é destas pessoas que produz e reproduz amizades, que conecta pessoas e adora casa cheia, samba, cerveja gelada, boa comida e dias de sol! Silvia é energia pura, energia boa! Junto com ela veio o nosso querido Dani, que muito me orgulha com sua sensibilidade, presteza, cordialidade... um gentleman! Isto sem falar no seu exímio talento artístico!

E, sem mais nem menos, Silvia me trouxe de presente o Cesar Motta (seu professor e chefe), pessoa mais que iluminada, dono do sorriso mais lindo e cativante, tão querido que chega a ser indescritível - não encontro palavras à altura dele.

Silvia e Cesar chegaram na minha casa num momento em que eu experimentava a maternidade e estava me adaptando à vida de mãe de dois garotos (um ainda bebê). E foram sempre tão gentis e amáveis comigo e com meus pequenos, que me tocaram o coração de um jeito que jamais eu consegui expressar tamanha gratidão.

Deste tempo pra cá (pouco mais de 25 anos) a vida seguiu seu rumo e cada um seu destino, mas nunca mais fomos os mesmos. Guardamos com tanto zelo nosso bem querer que tempo, distância e ausência física nunca foram capazes de “embaçar” nossa amizade, pelo contrário, ela se mantém em cores tão vivas que me traz a todo momento lembranças que me enchem o coração. Não tenho a menor dúvida deste encontro de almas e ainda agora escrevo em voz alta na esperança de que o Cesar esteja por aqui e possa ouvir este meu transbordo de sentimentos. Sim, Cesar Motta cumpriu sua jornada neste mundo antes de nós e nos deixou além da saudade, uma gratidão enorme e a certeza de que nossa cumplicidade transcende a esta vida. Seguimos daqui e ele de “lá”... Uma dó!! Hoje estaríamos celebrando o aniversario dele com muitos abraços apertados e sinceros!

Diante destes superamigos que a vida me presenteou não tenho escolha, é imperativo que eu creia no encontro divino de almas que se reconhecem!

Paro por aqui, com o coração apertado de saudade e gratidão, plagiando Ariano Suassuna... “não sei, só sei que foi assim”.
 
Helenice Fonseca
25-08-2024
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