Fotos: Luciano Baía Meneghite
A vitória do prefeito Pedro Augusto era dada como certa, porém, o que me surpreendeu foi a expressiva votação que ele teve, mais de 25 mil votos, 87% do eleitorado. Ao atingir essa marca Pedro se tornou o prefeito mais bem votado da história de Leopoldina. Nessa eleição, considerando a porcentagem, um dos mais bem votados do Brasil.
Do outro lado, a votação da Iolanda foi abaixo do esperado. Apesar de saber que dificilmente ganharia, eu acreditava que ela teria uma boa votação, afinal, concorreu apenas ela e o Pedro. Mesmo assim Iolanda teve menos votos de quando concorreu a prefeita no ano de 2004, quando teve 3.743 dos votos, ou seja, 92 votos a mais que nessa eleição.
Vale lembrar que em 2004 foram três candidatura: Zé Roberto, Bené e Iolanda; o que será compreensível que Iolanda tivesse uma votação razoável, afinal, aquela eleição foi polarizada entre Zé Roberto e Bené, inclusive na época culparam a candidatura do PT pela vitória do Zé Roberto, tendo em vista que acabou dividindo a oposição e o favorecendo.
Voltando para essa eleição, muitos tentam entender os motivos que levaram a única candidatura de oposição ter tido tão pouco votos. Vários foram os motivos, a começar pela insistência de membros do PT em querer nacionalizar a campanha, querendo fazer Lula X Bolsonaro, achando que o fato do Lula ter quase 70% dos votos em Leopoldina significa que esses votos iriam para qualquer candidato da esquerda ou do PT. Costumo dizer que o voto do Lula não significa necessariamente voto da esquerda ou do PT, afinal, se o Lula vier sair do PT, ele terá quase a mesma votação estando em qualquer outro partido. Logo, temos que separar votos do Lula dos votos da esquerda e do PT. É o Lula que têm votos, não a esquerda ou o PT. Lula é um fenômeno, a criatura que superou o criador. Há um debate na esquerda para saber quem é maior, Lula ou PT. Para muitos Lula, afinal, ele sobrevive sem o PT, já o PT sobrevive sem o Lula? Como será o PT após a morte de Lula?
Outro fato que contribuiu para a baixa votação foi a ausência da oposição. Muitos que se diziam ou achávamos que eram oposição não foram ou não eram de fato. Isso ficou nítido durante a campanha, onde apenas o PP, partido do Suíno, Carlos André e Ivan, manifestaram apoio a Iolanda. Os demais partidos preferiram a neutralidade. Lideranças políticas como Zé Roberto, Breno, Ricardo e outros não manifestaram em momento algum, nem a favor ou contra. Como o voto é secreto fica a dúvida em saber em quem eles votaram, se é que votaram.
Iolanda fez campanha praticamente sozinha. Inclusive, muitos candidatos a vereador do seu próprio lado, PT, PV e PCdoB, não associaram a campanha deles com a dela. Não colocaram a foto dela nos adesivos de carro e outros materiais, não acompanharam nas caminhadas, não usaram o vermelho nos santinhos, que inclusive muitos tiveram espaço em branco para prefeito. Não poderia deixar de citar a trágica carreata com carrinhos de brinquedo que foi a última pá de terra na sua candidatura, que foi enterrada de vez.
Iolanda foi muito valente, contra tudo e contra todos foi para luta, conseguindo apenas repetir a tradicional marca do PT em Leopoldina, onde nas três vezes que disputou, duas com Iolanda (2004 e 2024) e uma com Cláudia Conte (2020), ficou na casa dos três mil votos. A candidatura do PT novamente não furou a bolha.
Após esse resultado acredito que Iolanda irá se aposentar politicamente. Ela que já participou de dez eleições na sua vida: quatro vezes candidata a vereadora (1992 e 1996 sendo eleita – 2012 e 2016 não foi eleita), três vezes candidata a prefeita ( 1988, 2004 e 2024), uma vez vice-prefeita (2000 ao lado do José Newton) e uma vez deputada estadual (2006).
Diferente dela, Pedro, que se saiu vitorioso, começa ser pressionado a não parar nesse mandato. Circula nos bastidores políticos um zum-zum- zum em torno de uma possível candidatura dele a deputado. Não que seja algo que ele queira, mas seu grupo político, empolgado com o bom resultado nas urnas, já pensa em ir além. Mas as eleições de 2026 estão longe, nem terminou o primeiro mandato dele e somente em janeiro ele tomará posse do segundo, mas a tendência é essa pressão aumentar com o tempo.