Como é prazeroso rever pessoas amigas de quem sabemos de notícias através de terceiros, quando sequer imaginávamos que tal encontro pudesse ocorrer.
Sábado, dia 12, na feira que ocorre no Parque Félix Martins, lá estávamos minha irmã Carmen e eu saboreando um “torresmão” com cerveja quando, num determinado momento, a vejo gesticulando para uma pessoa em uma mesa próxima e chamando minha atenção para ela, dizendo “olha, é o Ronaldo”.
Volto-me, constato ser o Ronaldo, levanto, dirijo-me até ele, entre sorrisos, abraçamo-nos num rever de mais de 30 anos, iniciamos conversa sobre nossos tempos de vizinhos, eu, na Rua Lucas Augusto 65, ele Cotegipe, segunda casa após a minha, lembramos de Dª Belkiss, sua adorável mãe, do Sr. Tizinho, da Marília, da Terezinha, do Enéas, da Malú, do avô dele, o memorialista Luiz Eugênio Botelho, enfim, naquele curto espaço de tempo “abrimos nossos baús” de lembranças, rimos e tivemos mágicos momentos.
Dele acompanho na Memória Leopoldinense as fotos e documentos que ele disponibiliza à preservação histórica através do brilhante trabalho realizado pelo Luciano Meneghite.
Ele comenta como age para resgatar os documentos, o carinho que tem por cada um deles ante a importância que representam para os históricos familiares, esportivos, culturais, sociais, guardando e resguardando-os de extravios, destruição e o pior, relegá-los ao esquecimento e à “desimportância”.
Disse-me ele: “Edson, acompanho e leio seus textos no Leopoldinense e hoje, sem jamais imaginar que encontraria com você, tomei num dos meus arquivos uma cópia dum artigo que “tem a sua cara” e o trouxe comigo... por quê?... não sei”.
Ato contínuo, Ronaldo leva a mão ao seu bolso traseiro, retira um documento e me entrega.
Desdobro o documento e lá está o texto: “Recordações de uma rua chamada Cotegipe...”, da lavra de Joaquim Custódio Guimarães, publicado no jornal Ilustração do qual ele era Editor, em edição não informada e seu conteúdo contempla registro de cidadãos, cidadãs e comércio “da Cotegipe”, de épocas que muito antecedem à minha fase leopoldinense (anos 1950/60/70).
Sim, senti-me “valorizado” com tal deferência não só pelo elevado número de citações lá contidas, mas também pelo valor histórico de tal publicação, além da especial deferência do Ronaldo em ceder-me algo da sua coleção.
Indaguei ao Ronaldo se eu poderia transcrever o texto registrando os respectivos créditos autorais, e sendo o documento uma cópia de texto jornalístico impresso, sua diagramação contempla colunas e minha transcrição será no molde convencional de redação, como neste texto.
Considerando o texto original ser bastante extenso e detalhado, solicitarei ao Luiz Otávio que a publicação seja efetiva em duas ou três etapas.
Encerrando o encontro do dia 12, Ronaldo e eu brindamos o reencontro com uma cerveja, despedimo-nos com um caloroso abraço e combinamos reencontrar na minha próxima ida a Leopoldina.
Nesta oportunidade e através deste texto, envio ao Ronaldo um ABRAÇÃO e cumprimentos pelo silencioso resgate memorialista que ele desenvolve, dando exemplo àqueles que não se importam com a HISTÓRIA.