Hoje, navegando na internet, deparei com a música Feira Moderna, composta por Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant, apresentada no FIC – Festival Internacional da Canção, em 1970, música esta que conheci através das interpretações do Serginho, nas diversas ocasiões em que ele “soltava a voz”, música tal que há muitos anos eu não ouvia.
Sintonizei, ouvi, repeti a sintonia, ouvi mais três ou quatro vezes enquanto minha memória resgatava lá do “fundo do baú” aqueles deliciosos, fraternos e musicais momentos, anos 1970 e 71.
Aí a “ficha caiu”: hoje Serginho completaria 85 anos, se fisicamente ainda neste Plano de Vida estivesse.
Parei, pensei, imaginei e constatei o “poder” que as músicas têm de nos levar ao resgate de fatos e ocorrências que em estado letárgico vivem em nossos corações e mentes.
“Revi” Serginho não só cantando Feira Moderna, como também interpretando Vinícius e Jobim, com destaque à belíssima Eu Não Existo Sem Você.
Certa feita, Serginho cantando Eu Não Existo Sem Você, eu, que não disponho de dons musicais vocais ou instrumentais, em voz baixa também comecei a cantar e Serginho, aos poucos, foi reduzindo sua altura de voz e a minha começou a “aparecer” ... óbvio que com sofrível qualidade de interpretação, porém “dei conta do recado”.
“Cantor” de uma só música, em outras ocasiões, pequenas melhoras e estimulado, Serginho, deu-me chance de “soltar a voz”, ainda que sem quaisquer chances de futuro como cantor... mas que cantei, cantei!
Convivi com Serginho entre 1969 e 71 e apesar da diferença de idade, ele mais velho 8 anos, entendo que nossa convivência era “nivelada” porquanto ele conseguia “transitar” tanto entre mais novos quanto entre os mais velhos.
“Mentor” da Turma da Galomba, Serginho conseguia “harmonizar” Toninho Neder, Jader Augusto, Aloisio Bigodudo, Paulo Vianna, Jedson Domingos, Clóvis Esteves, Dário Sapateiro – cuja oficina era uma das “sedes” da Turma, Mário Calábria, Paulo Sérgio Rodrigues, por que não, Dr. Dalmo Bastos, este que escreve, até porquê a Turma era tal qual “coração de mãe”... sempre abrigava mais um, temporária ou permanentemente.
É, hoje foi um DIA!!! Ouvi saudosa música, “cantei” Jobim e Vinícius, resgatei fatos, “revi” Serginho & galombeiros, ratifiquei o quão importante foi conviver com Serginho do Rock, sentimento que comigo estará na Eternidade.
... 54 anos, parece que foi ontem, tal a intensidade daqueles saudosos, musicais e fraternos momentos e ao Serginho, minha GRATIDÃO pelo que ele representou na minha forma de ver e viver a VIDA.
Edson Gomes Santos, 26 de outubro de 2025