Tem quem ache que preservar a Memória Leopoldinense seja exaltar figurões, coronéis ou princesas em monumentos, nomes de logradouros ou locais pomposos . A memória da cidade está principalmente na rua e no seu povo mais simples.
Certamente você já deve ter visto Dona Maria da Conceição Rangel Santos, 80 anos, pelas ruas centrais de Leopoldina ou no bairro Pirineus onde mora, recolhendo recicláveis para reforçar a aposentadoria. Em 2017 publicamos uma matéria a seu respeito e sobre a reforma que fazia em sua casa. A reforma andou, mas ainda está incompleta. Maria é otimista e acredita que vai terminá-la.
Antiga leitora do jornal Leopoldinense impresso e admiradora das artes, há alguns meses ela me perguntou se eu poderia fazer uma pintura no muro defronte à residência da família. Gostei da ideia. Sua intenção era reproduzir a imagem do cartaz do curta-metragem “O que gosto de fazer é ter nascido no mundo”, realizado em 2019 por sua neta Monique Rangel, roteirista e diretora. A obra exibida em alguns festivais e premiada, conta um pouco a história da família, centrada na figura de Maria, misturando memórias com tom de realismo fantástico.
Finalizei a pintura nesta sexta-feira,27/03
No terreno da rua Leonor Bahia, funcionou o terreiro de umbanda da saudosa Dona Maria Rogéria, mãe de Maria Rangel que hoje mora em uma casa nos fundos. Na casa da frente onde pintei o mural, mora sua irmã Aparecida.
Mas essa ação só foi possivel através da colaboração de pessoas como o colunista do Leopoldinense Edson Gomes Santos, com a qual compramos as tintas. Outras foram doadas por Maria da Conceição Silva e Wagner Toni, aos quais agradecemos.
O antes e o depois (Fotos: Luciano Baía meneghite - Google Maps)
Assista ao documentário: