12/10/2020 às 10h47min - Atualizada em 12/10/2020 às 10h40min

Diga-me com quem tu andas e eu te direi se voto em você!

 A eleição deste ano exigiu dos partidos  organização maior do que em eleições anteriores.  Tendo em vista as mudanças nas regras eleitorais.  Como fim das coligações para a disputa no legislativo (vereador). Fato que falei em outros artigos.

Sem poder coligar, os partidos tiveram que montar chapa pura. Podendo lançar até 23 candidatos a vereador. Dos 17 partidos que irão participar da eleição deste ano, apenas 4 conseguiram atingir o número máximo de candidaturas: PL, PSB, PSL e  PV. Os partidos com menos candidaturas são o REDE e AVANTE, ambos com 13 candidatos.

Ficando assim  cada partido:
 
PL (Partido Liberal): 23 candidatos
PSB (Partido Socialista Brasileiro): 23 candidatos
PSL (Partido Social Liberal): 23 candidatos
PV (Partido Verde): 23 candidatos
PODE (Podemos):  22 candidatos
PSD (Partido Social Democrático): 22 candidatos
PT (Partido dos Trabalhadores): 22 candidatos
DEM (Democratas): 20 candidatos
PCdoB (Partido Comunista do Brasil): 20 candidatos
PSC (Partido Social Cristão): 19 candidatos
PDT (Partido Democrático Trabalhista):  19 candidatos
PTB (Partido Trabalhista Brasileiro): 19 candidatos
PP (Partido Progressista): 15 candidatos
REPUBLICANOS (Republicanos): 15 candidatos
PSDB (Partido Social Democracia Brasileira): 14 candidatos
AVANTE (Avante): 13 candidatos
REDE (Rede Sustentabilidade): 13 candidatos
 
Fonte:http://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/municipios/2020/2030402020/47678/candidatos

Analisando os candidatos a prefeito, apenas  Pedro Augusto  (PL) e Ricardo da PAF PAX (PSB)  conseguiram montar partido com chapa completa: 23 candidatos.  Fato que me  surpreendeu. Afinal, os dois são estreantes na política. Pensei que teriam dificuldades em organizar o partido. Conseguir candidatos a vereador.

Brenio Coli (PSD) e Cláudia Conte (PT) chegaram perto do número máximo. Ambos conseguiram montar o partido com 22 candidatos. Faltou apenas um para terem chapa completa.
 
Eu sabia que Brenio e Cláudia  teriam  facilidade para montar seus partidos. Principalmente Brenio, o político mais experiente dessa eleição. Cinco vezes vereador, duas vezes vice-prefeito, concorreu a prefeito na última eleição onde teve do seu lado 12 partidos. Era natural que seu partido viesse forte para essa eleição.

Cláudia é do PT.  Partido mais organizado da cidade. Participou de todas as eleições. Tirando a eleição de 1988 a qual não tenho muitas informações, de 1992 até a eleição desse ano,  o PT sempre teve representante na Câmara. É o terceiro partido que mais elegeu vereadores. Sendo 11 ao total. Na última eleição chegou a ficar de fora pela primeira vez, mas com  a morte do vereador Rosalvo (PDT) assumiu Flavinho  de Abaíba, que é do PT. Com isso o PT novamente marcou presença na Câmara. Mantendo a tradição de sempre ter vereador.   Nessa eleição o partido vem forte novamente na disputa do Legislativo.  

Um fato que surpreendeu a muitos, mas não a mim, foi o partido da Kélvia Raquel (PP) ter apenas 15 candidatos. Quando escrevi o artigo “E agora Kélvia” citei as dificuldades que ela teria para montar seu grupo. Tendo em vista que o partido pelo qual ela foi eleita e fazia parte, Partido Humanista da Solidariedade (PHS), foi extinto em 2018.  Tendo em vista não ter atingindo a cláusula de barreiras, que exige dos partidos  uma quantidade mínima de representantes (deputados ou senadores), de modo ter direito ao fundo eleitoral, tempo de TV e rádio, ocupar cargos de direção da  Câmara, indicar líder da maioria, minoria e do governo, participar das comissões, CPIs,  nomear  relator...
 
Como o PHS  não atingiu a cláusula de barreira,  acabou ficando isolado. Sem direito a nada. Seus deputados e senadores limitaram-se a   apenas votar no plenário. Fato que ocorreu como outros partidos. Como o Partido Trabalhista Nacional (PTN). Visando ter  maior participação, políticos do PHS e PTN, sem poder sair do partido devido a lei da fidelidade partidária, resolveram unir os partidos, criando o PODEMOS. Dessa forma, atingiram a quantidade mínima de parlamentares. Passando a poder participar dos trabalhos da Câmara e do Congresso. Além é claro, ter direito ao fundo eleitoral e tempo de TV e rádio.

Como Kélvia pertencia ao PHS, com o fim dele, automaticamente ela foi para o PODEMOS. O que acabou sendo um problema para ela. Já que o PODEMOS foi parar nas mãos do grupo de Brenio Coli.  Com isso, Kélvia teve que sair do partido e ir para outro. Algo nada simples para quem tem mandato.  Afinal, o mandato pertence ao partido. Como prevê a lei da fidelidade partidária. Caso Kélvia saísse, poderia perder o mandato. Dessa forma, Kélvia teve que ficar no partido até  o prazo da “janela”: período onde parlamentares podem trocar de  partido sem  perder o mandato. Um jeitinho brasileiro de burlar a lei da  fidelidade partidária.

Acontece que o período da “janela” é  justamente no prazo final para que quem ser candidato se filiar a um partido. Kélvia saiu do PODEMOS  e foi pro  Partido Progressista (PP), onde teve pouco tempo para organizar o partido. Se não bastasse o pouco tempo, outro complicador foi o fato do grupo do Zé Roberto ter dois partidos organizados. O PSC do próprio Zé Roberto, e o PSL do Roberto Brito – filho do Zé Roberto. Além do PSDB.
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Como Kélvia não tinha rumo definido, devido não poder sair do PODEMOS, muitos que seriam candidatos ao lado dela, acabaram indo para os partidos do grupo do Zé Roberto.  Com isso Kélvia só conseguiu 15 candidatos a vereador no seu partido. Seriam 16 candidatos, tendo em vista que seu vice, Thiago Toledo, seria candidato a vereador.
 
Quem também teve problemas para montar seu partido foi Marcos Paixão. Diferente de Kélvia, Paixão começou organizar o partido um ano antes da eleição. Foi um dos primeiros a lançar a pré-candidatura.  No dia 1º de julho de 2019 se filiou ao partido Solidariedade. A partir daí foi  filiando pessoas no partido.  Formando  chapa de vereador. Estava tudo indo bem até que forças ocultas começaram agir nos bastidores visando tirar das mãos de Paixão o partido.

Percebendo que o Solidariedade não era um partido confiável, Paixão teve que deixar a legenda. Chegou a ser cogitado a ida dele para o PCdoB. Mas ele acabou indo para o REDE. Onde teve que começar tudo do zero. Organizar  a direção do partido, filiar todas as pessoas que havia filiado no Solidariedade, além de ir atrás de outras pessoas, principalmente candidatos a vereador. Dessa vez, enfrentando o tempo e as desconfianças sobre sua candidatura.  O que fez com que muitos candidatos que o apoiavam fossem para outros partidos. Com isso, Paixão conseguiu apenas 13 candidatos a vereador.

Feita a análise em torno dos partidos dos candidatos, agora passo analisar as coligações. Para a disputa no Legislativo os partidos não podem organizar, mas para o Executivo (prefeito) podem.

Brenio Coli foi o candidato que mais conseguiu apoio de outros partidos. Cinco no total: PSD (seu partido), DEM (do seu vice Jacques Vilela),  AVANTE,  PODEMOS e PDT. Totalizando “96” candidatos a vereador.

Ricardo PAF PAX tem apoio quatro partidos: PSB (seu partido), REPUBLICANOS (do seu vice Marco Antônio), PTB e PV. Totalizando  “80” candidatos a vereador . Tem também ao seu lado o MDB, mas como esse ano o MDB  não lançará nenhum candidato a  vereador eu não considero como partido que está participando da eleição.  

Kelvia Raquel tem também  apoio de quatro  partidos.:  PP (tanto dela quanto o vice Thiago Toledo),  PSC,  PSL e  PSDB.   Totalizando “71” candidatos a vereador.

Marcos Paixão  tem apoio de dois partidos:  REDE (seu partido) e o  PCdoB   (do seu vice Ronilson). Totalizando “33” candidatos a vereador. Por coincidência número da idade de Cristo.  Paixão é católico fervoroso.

Pedro Augusto não conseguiu apoio de nenhum partido. Terá apenas candidatos do seu partido, sendo “23”. O mesmo aconteceu com Cláudia Conte, que conta somente com os candidatos  a vereador pelo PT, sendo “22”.

Ficando assim a quantidade de candidatos que cada um terá.
 
1- Brenio: “96”  candidatos
2- Ricardo da PAF PAX: “80” candidatos
3- Kélvia Raquel: “71” candidatos
4- Marcos Paixão: “32” candidatos
5- Pedro Augusto: “23” candidatos
6- Cláudia Conte:  “22”candidatos
 


Coloquei a quantidade de candidatos entre aspas tendo em vista que nem todos que estão no partido ou coligação irão apoiar o candidato a prefeito que o partido está apoiando. A fidelidade partidária não está acontecendo.  O que mais estou vendo são  candidatos a vereador escondendo partido e apoio ao candidato a prefeito. Alguns vão além,  chegam a fazer campanha contra o candidato que o partido escolheu apoiar. Ferindo a lei da fidelidade partidária. 

Muitos candidatos a vereador estão fazendo campanha solo.  São candidatos que querem entrar na política sem se envolver.  Como se isso fosse possível. Eu comparo política com um jogo de futebol, num campo  de chão batido,  em dia de muita chuva. É lama pra tudo que é lado. Quem entra em campo vai sair sujo de lama. 

O mesmo é na política. Quem entra na política vai se “sujar”. Para participar da política tem que ter coragem de assumir suas bandeiras. Sem medo de “apanhar”. Comparo política também com lutas do UFC. Quem sobe no octógono (ringue) sabe que vai  apanhar. Vence a luta o lutador o qual as pancadas não o abalaram. Na política é a mesma coisa. É porrada pra tudo que é lado. A pessoa vai ser sempre criticada. Achar que vai entrar na política e que vai agradar a todos está enganado. Tem uma frase que gosto muito: “Quem tenta agradar a todos, não agrada ninguém”.

Quem entra na política vai ter que assumir suas bandeiras. Mostrar de que lado está. Se é de direita ou de esquerda. Qual candidato a prefeito  está apoiando. Qual é o seu partido. Quem além dele faz parte do partido. Até porque, quando o eleitor  vota num candidato a vereador o voto vai para o partido, onde será eleito o candidato mais votado do partido. Dessa forma, é bom o eleitor saber qual partido o candidato faz parte  e quem está junto com ele. Quem ele está apoiando para prefeito.  Como diz uma frase: “Diga-me  com quem tu andas e eu te direi  quem és”. No caso da política: Diga-me com quem tu andas e eu te direi se voto em você.

 
  
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