19/12/2014 às 19h32min - Atualizada em 19/12/2014 às 19h32min

Eleição feia!

Eleição feia! 

Paulo Lucio – Carteirinho

Não teve nada de beleza a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cataguases.  Pelo contrário, foi uma eleição feia. Com intervenções partidárias de ambos os lados. Os vereadores não puderam votar com sua própria consciência, tendo que ceder a pressões do lado de fora. 

A eleição da Mesa Diretora foi uma prévia das eleições municipais de 2016. O projeto de retorno ao poder falou mais alto do que um projeto em prol de Cataguases. Em nenhum momento se pensou no melhor para a cidade. No meu entender, a Câmara deveria seguir o alinhamento político. Vale destacar que, pela primeira vez na história, Governos Federal, Estadual e Municipal são do mesmo grupo político. 

A Câmara teve a oportunidade de caminhar junto, mas os vereadores optaram por andar na contramão desse momento histórico, elegendo um vereador da oposição. O vereador Beleza 
obteve 9 votos: Serafim, Aquiles, Joãozinho, Canjica, Walmir, Michelangelo, Titoneli,Vinicius; contra 6 votos de Majella: Rufino, Pacheco, Russo, Amaral, Aritana. 

O resultado dessa eleição já era previsto desde o dia 15 de Outubro de 2013, quando os vereadores aprovaram o projeto de Resolução Nº 10/2013, que acabou com o voto secreto em Cataguases. 

Vale destacar que a base do governo conta com apenas 6 vereadores, contra 8 vereadores ligados ao grupo do ex-prefeito e um “independente”, que na verdade, faz mais oposição que todos juntos. Ou seja, são 6 da situação contra 9 da oposição. 

Com 9 votos contra, sendo a eleição através do voto aberto, dificilmente a situação ganharia. Para isso, teria que fazer várias manobras, visando conseguir apoio do outro lado. O vereador Majella saiu na frente, formando uma chapa tendo apoio de todos os vereadores da base do governo e mais dois da oposição, sendo os vereadores Joãozinho e Aquiles, que tiveram “autorização” verbal do presidente do partido estavam na chapa do Majella. 

Com o apoio dos vereadores do PHS, a chapa da situação venceria com 8 votos, contra 7 da oposição. Isso fez com que a oposição se mobilizasse e pensasse em manobras para reverter esse resultado. Uma das manobras foi criar um racha na chapa da situação, seduzindo o vereador Amaral a formar chapa com a oposição, onde ele seria o presidente. Amaral mordeu a isca e foi para o lado da oposição. 

Com 8 votos a vitória agora era da oposição. A situação teve que fazer manobras para conseguir trazer o Amaral de volta. Aí que começou a política feia, com ameaças de cassar o mandato ou não dá legenda para Amaral na próxima eleição. 

Essas ameaças deram certas e Amaral voltou atrás. Para amenizar as coisas, foi oferecida ao Amaral ser o presidente da chapa, mas ele recusou. Fica a dúvida no ar. Afinal de contas, Amaral queria ou não ser presidente? Por que ele recusou ser presidente pelo lado do prefeito? 

Voltando a ter 8 votos, a chapa da situação venceria. Foi então que a oposição usou da mesma regra do PCdoB, cobrando do PHS fidelidade partidária, obrigando os vereadores a votarem na chapa da oposição sendo encabeçada pelo vereador Beleza. 

Tal atitude do PHS não me surpreendeu. Ou alguém pensou que um partido presidido pelo secretário do ex-prefeito ficaria neutro ou apoiaria a situação? Mais cedo ou mais tarde iria pressionar os vereadores a votarem na oposição. Só não fizeram antes porque a oposição não havia definido o candidato. 

A escolha pelo nome do Beleza foi uma outra manobra política da oposição, utilizando as regras do jogo. Segundo o Regimento Interno da Câmara, em caso de empate o critério para desempate é a idade. Esse fato mostra que a oposição tinha receio de perder mais uma eleição e optou pelo mais velho. 

Por fim, os vereadores Joãzinho e Aquiles, acabaram cedendo a pressão do partido, mesmo sendo contrários ao apoio ao Beleza. Entendo os motivos que levaram os vereadores a tomarem tal decisão, a qual se arrependeram para o resto da vida. É o preço que se paga quando é filiado a um partido que atende a interesses de grupos e não aos anseios do povo. 

O voto aberto mostrou muito mais como os vereadores votaram. Mostrou como funciona o nosso modelo político. As negociatas, pressões, acordos, ameaças... . A eleição de Mesa Diretora deixou de ser uma eleição interna e virou externa. Não pensam mais na gestão da Casa, mas sim na próxima eleição para prefeito. Com isso, quem vota não são os vereadores, mas sim grupos políticos.

Espero que os vereadores tenham aprendido a lição e que tomem uma decisão contra tal intimidação, deixando a legenda assim que puder. Do contrário, continuarão a serem marionetes. A política feia não pode prevalecer. 

Os parlamentares devem votar com sua própria consciência. Sem interesse pessoal ou de grupo político. Pensando no melhor para a cidade. 

Encerro dizendo que essa eleição foi histórica por vários motivos. A começar pelo voto aberto, sendo a primeira votação da história. Depois pelo fato de ter sido feito um debate entre os candidatos. Por último, a questão de ter se tornado pública, sendo vinculadas nas redes sociais, sites, rádios e em vários pontos da cidade, contando com um grande público no dia da votação. Vitória da política limpa. 

Volto a repetir, não teve nada de beleza, foi uma eleição feia. 

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