10/03/2020 às 07h08min - Atualizada em 10/03/2020 às 07h08min

E agora Dr. Marco Antônio?

No meu  último artigo – “E agora Cláudia Conte? –  escrevi sobre os desafios do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2020. Falando no PT, temos que falar do Doutor Marco Antônio, pré-candidato a prefeito pelo Partido Republicando Brasileiro (PRB), mas que por muito tempo representou o PT nas eleições. Não chegou a ser candidato a prefeito, porém, participou  ativamente das últimas  campanhas. Por duas vezes concorreu a cargo de vice-prefeito.
 
Em 2008, uma eleição muito parecida com a desse ano, com Zé Roberto fora da disputa, Marco Antônio era um dos pré-candidatos a prefeito, mas acabou apoiando a candidatura de José Newton. Nessa eleição se saiu vitorioso Bené  Guedes (PSDB) / João Ricardo (PDT) com 12.248 votos. Jose Newton (PMDB)/Marco Antônio (PT) tiveram 10.690 votos. Teve também uma terceira via,  Marcinho Pimentel (PP)/ Cabo Lucio( PV) com 6.654 votos.
 
Na eleição seguinte (2012), Marco Antônio  novamente concorreu a vice, dessa vez fez dobradinha com  Marcinho Pimentel. Essa eleição foi ganha por Zé Roberto (PSC) /Breno Coli (PSC) com 15.586 votos, contra 13.620 de Marcinho Pimentel (PP)/ Doutor Marco Antônio (PT) . Em terceiro lugar  Bretas (PRTB)/Silmara Matolla (PRTB) 1.232 votos.
 
Em 2015, um ano antes da eleição para prefeito, quando os partidos começavam a se organizar para a disputa, o PT vivia um bom momento na cidade. O partido tinha  três vereadores: Oldemar Montenari, Paulo Celestino e Paturi. O governador de Minas Gerais era  Fernando Pimentel (PT).  A presidenta era  Dilma Rousseff (PT).  O partido acreditava que com o governo federal e estadual nas mãos,   somada a bancada de vereadores na cidade, conseguiria apoio para sua candidatura a prefeito.
 
Porém veio a crise política. Governo Dilma foi perdendo apoio. Manifestações nas ruas.  Vários pedidos de impeachment dando entrada no Congresso. O antipetismo foi ganhando força. O PT estava com dificuldades em dialogar com outras forças políticas. Piorou mais ainda depois do impeachment da Dilma, tendo em vista que muitos passaram a ser vistos e tratados como “golpistas”. Com isso o partido ficou isolado.
 
Se não bastassem os problemas externos, começava também os problemas internos. Muitos do partido acreditavam que era hora do partido renovar. Ter a frente da legenda pessoas novas, mais empolgadas  e que defendiam mais o partido. 
 
Em Leopoldina, o vereador Oldemar Montenari representava esse movimento de renovação. Havia por parte dele interesse em ser candidato a prefeito. Mas ele não era o único, Isaias Santos também tinha as mesmas pretensões.
 
O partido começa o ano de 2015 com quatro nomes para candidatura de prefeito: Marco Antônio, Oldemar Montenari Isaías Santos e Paulo Celestino. O presidente do PT na época era Sidilúcio Senra, que democraticamente respeitou todos os pretendentes e resolveu consultar o diretório para tomar uma decisão. No dia 31 de julho de 2015, a direção do partido optou pela realização de uma prévia- - votação interna onde os filiados decidem quem será o candidato. A votação foi  marcada para o dia 22 de Agosto de 2015.
 
A disputa interna não agradou Marco Antônio, mas acabou concordando. Paulo Celestino chegou a retirar seu nome da disputa em apoio a Marco Antônio. Mas uma mudança na data da votação da prévia, do dia 22 de Agosto para o dia  20 de Setembro de 2015, foi o estopim para Marco Antônio, que resolveu deixar a legenda.
 
Logo que saiu do PT se filiou ao PRB (Partido Republicano Brasileiro). Tentou montar um grupo para lançar sua candidatura a prefeito. Acabou não conseguindo, tendo em vista que saiu do PT no final de Agosto e teve apenas um mês para montar o partido. As regras eleitorais da época exigiam dos candidatos fidelidade partidária de um ano, ou seja, teriam que estar filiado a um partido até o dia 2 de Outubro de 2015.
 
O pouco tempo não permitiu Marco Antônio montar seu grupo e acabou ficando fora da disputa. O PRB teve apenas quatro candidatos a vereador: Dr. Almeida 137 votos, Leonira 154 votos, Samuel Lacerda 67 votos e Mariinha 6 votos. Nenhum deles foi eleito. O partido coligou com o Partido Verde (PV) e Rede Sustentabilidade (REDE), essa coligação fez dois vereadores: Pastor Darci (500 votos) e Didi da Elétrica (441 votos). O pouco tempo para montar o partido acabou deixando Marco Antônio fora da disputa.
 
Voltando ao PT, sem Marco Antônio e Paulo Celestino, a prévia ocorreu entre Oldemar Montenari e Isaías Santos. Oldemar venceu. Passando a ser o pré-candidato do PT nas eleições de 2016. Porém, o mesmo acabou desistindo de sua candidatura a prefeito e resolveu concorrer a reeleição de vereador. Teve 268 votos e  acabou não sendo reeleito.
 
Por fim, o PT que chegou ter quatro nomes para prefeito acabou novamente não lançando candidatura própria. Até tentou lançar a ex-vereadora Iolanda Cangussu, mas não foi adiante e ela também concorreu ao cargo de vereadora, obtendo  204 votos.
 
Em relação à candidatura para vereador, mesmo tendo 25 candidatos o partido não conseguiu eleger ninguém, porém a coligação fez um vereador, Rosalvo (PDT) - eleito com 328 votos. Com a morte de Rosalvo (2017), assume o primeiro suplente, Flavinho. O  PT volta a ter vereador na cidade.
 
Por ironia do destino,  PT e Marco Antônio acabaram ficando juntos naquela eleição. Fizeram parte da coligação “Unidos somos muito mais”, encabeçada pelo Breno Coli (PSD)/Rodrigo Pimentel(PP), composta pelos partidos : PSD / PP / DEM / PV / PRB / REDE / PMDB / PT / PDT / PTB / PC do B / SD, que  obteve 14.720. Contra a chapa  “Juntos pela paz, união e progresso”, formada pelos partidos PSL / PTN / PSC / PR / PPS / PSDC / PHS / PTC / PSB / PRP / PSDB / PEN / PT do B / PROS,  encabeçada pelo prefeito  Zé Roberto (PSC)/Marcinho Pimentel(PHS),  a qual obteve  15.004 e acabou vitoriosa.
 
Em 2018, Marco Antônio concorreu ao cargo de deputado estadual. Dessa vez pelo partido Rede Sustentabilidade (REDE). A respeito dessa eleição, faz parte das estratégias das eleições de 2020. Como disse em artigos anteriores,  a ideia do grupo do Zé Roberto era tentar fazer um deputado estadual de Leopoldina.  Em 2016 ele faz um acordo político com Marcinho Pimentel, convidando-o  para ser seu vice e trabalhar para construir a candidatura de deputado estadual.  O nome mais certo era do prefeito Zé Roberto, tendo em vista que ele estaria fora das eleições de 2020. Zé Roberto concorreria ao cargo de deputado e continuaria na política. Há quem diga que candidato a deputado seria Marcinho Pimentel. Mas com  sua morte, o grupo do Zé Roberto teve que mudar seus planos e resolveu lançar  Roberto Brito (PSL), filho de Zé Roberto, candidato a deputado.
 
Acontece que não somente o grupo do Zé Roberto se organizava para as eleições de 2020. Parte da oposição também se organizava e resolveu disputar as eleições de 2018. Além  da candidatura de Roberto Brito(PSL), que obteve 20.476 votos (10.822 votos em Leopoldina), tivemos também a do vereador Jacques Villela (DEM) com 3.548 votos (3.117 votos em Leopoldina), Godelo (PCdoB) com 1.628 votos (1.545 votos em Leopoldina) e do Marco Antônio (REDE) com 1.580 (1.058 votos em Leopoldina).
 
Com quatro candidatos dentro da cidade, acabou que ninguém foi eleito. Roberto Brito foi o que chegou mais perto. A derrota  do grupo do Zé Roberto mudou  os rumos das eleições de 2020.  O grupo do prefeito não conseguiu fazer o tão sonhado deputado. O prefeito e ninguém da sua família pode concorrer. O vice-prefeito, que era o nome mais forte do grupo faleceu. A  Câmara nas mãos da oposição.  Esse cenário deixou a eleição aberta. Animando muita gente. Inclusive Marco Antônio, que é novamente  pré-candidato a prefeito.
 
Passada as eleições de 2018, Marco Antônio sai do REDE e volta para o PRB. Tenta novamente montar seu grupo. Dessa vez tem tempo.  Porém, as novas regras eleitorais ficaram mais difíceis.   Bato na tecla da questão da disputa para o legislativo, base da campanha para prefeito. Os partidos não poderão coligar para vereador. Terão que lançar chapa pura. Essa é a maior dificuldade dos pré-candidatos. Principalmente de Marco Antônio. Como disse anteriormente, na eleição passada seu partido só teve quatro candidatos a vereador, devido o pouco tempo. Dessa vez, com mais tempo, será que vai conseguir montar chapa de vereador?
 
Outro desafio  para Marco Antônio é a pré-candidatura do seu antigo partido (PT), que está lançando sua cunhada, Cláudia Conte, pré-candidata a prefeita. Dividindo a família. Fato que aconteceu na eleição passada na família Pimentel, quando  Rodrigo Pimentel disputou contra seu tio Marcinho Pimentel. Será que Marco Antônio  e Cláudia Conte vão levar essa disputa adiante?
 
Marco Antônio tem a seu favor o fato dele ser muito conhecido. Como disse anteriormente, disputou duas eleições concorrendo a vice-prefeito, foi candidato a deputado estadual. O que lhe dá certa vantagem em relação a nomes mais novos.
 
Será que dessa vez Marco Antônio vai de fato ser candidato a prefeito? A pergunta que não quer calar: E agora Marco Antônio?

 

 

 
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