15/03/2017 às 09h44min - Atualizada em 15/03/2017 às 09h44min

No “canteiro” das poesias uma “flor de lis” Fagner e Djavan

WALDEMAR PEDRO ANTÔNIO

                 O  Cantinho  Musical   sente-se  em  um  jardim  florido  de  belas  canções  interpretadas  não  somente  com  a  voz  , mas  também  com  a  alma pura  de  quem  externa  o  eco  do  coração  apaixonado, o  que  configura  a  presença,  neste  espaço,  de  uma  dupla  maravilhosa  que  enriquece  o  nosso   cancioneiro :  FAGNER  e  DJAVAN .

        Iniciaremos nossas  apresentações  por  Raimundo Fagner Cândido Lopes  mais conhecido apenas como Fagner .  Nasceu  no  dia  13  de  outubro  de  1949 ,  em  Orós , é um cantorcompositor, instrumentista, ator e produtor  brasileiro.  Esse  cearense  desde criança mostrou-se interessado por música. Com apenas cinco anos de idade, tirou o primeiro lugar num concurso de cantores infantis em homenagem ao dia das mães, promovido pela Rádio Iracema de Fortaleza. Nos colégios onde estudou, formou grupos vocais e conjuntos de rock.  Em 1970, Fagner se mudou para Brasília para estudar arquitetura, onde também participou do Festival de Música Popular do Centro de Estudos Universitários de Brasília com a canção Mucuripe, em parceria com Belchior, classificando-se em primeiro lugar. O nome de Fagner vem sendo incluído na lista dos maiores cantores de música latina, principalmente pela sua filiação com outros músicos latinos não  brasileiros, como Mercedes  Sosa .

      
Passemos  a  apresentar  algumas  canções  interpretadas por  essa  voz  inconfundível  que  agrada  a  um  grande  público .  Iniciaremos  com  um  poema  de  Cecília  Meireles ,  que  Fagner  musicou  e  gravou  fazendo  um  enorme  sucesso .   O  poema  musical  versa  sobre  uma  enorme  angústia  sentida  pelo Poeta , motivado  pela  ausência  da  pessoa  amada , expressando  um  imenso  desejo em  ter o  aroma  do  mato para  correr  pelo  “  CANTEIRO  “. [ “  / Quando penso em você fecho os olhos de saudade / Tenho tido muita coisa, menos a felicidade / Correm os meus dedos longos / Em versos tristes que invento / Nem aquilo a que me entrego / Já me dá contentamento / Pode ser até manhã, cedo, claro, feito dia / Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria / Eu só queria ter do mato / Um gosto de framboesa / Pra correr entre os canteiros / E esconder minha tristeza / E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza / E deixemos de coisa, cuidemos da vida, / Pois se não chega a morte ou coisa parecida / E nos arrasta moço sem ter visto a vida / Eu só queria ter do mato / Um gosto de framboesa / Pra correr entre os canteiros / E esconder minha tristeza / E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza / E deixemos de coisa, cuidemos da vida, / Pois se não chega a morte ou coisa parecida / E nos arrasta moço sem ter visto a vida / . “  ]  . 

Em   uma  versão  de  Ferreira  Gullar da  composição  de  Juan  Luiz  Guerra  ,  em  uma  bela  interpretação  de  Fagner , encontramos , através  de  cada  verso , uma  linda  alusão  metafórica   ao  amor , em  uma  entrega  de  paixão  e  ternura  expressas  em  uma  maravilhosa declaração  do  amante  pela  pessoa  amada  :   “  BORBULHAS  DE  AMOR  “ .  [ “  / Tenho um coração / Dividido entre a esperança e a razão / Tenho um coração / Bem melhor que não tivera / Esse coração / Não consegue se conter ao ouvir tua voz / Pobre coração / Sempre escravo da ternura / Quem dera ser um peixe / Para em teu límpido aquário mergulhar / Fazer borbulhas de amor pra te encantar / Passar a noite em claro / Dentro de ti / Um peixe / Para enfeitar de corais tua cintura / Fazer silhuetas de amor à luz da lua / Saciar esta loucura / Dentro de ti / Canta, coração / Que esta alma necessita de ilusão / Sonha, coração / Não te enchas de amargura / Esse coração / Não consegue se conter ao ouvir tua voz / Pobre coração / Sempre escravo da ternura / Quem dera ser um peixe / Para em teu límpido aquário mergulhar / Fazer borbulhas de amor pra te encantar / Passar a noite em claro / Dentro de ti / Um peixe / Para enfeitar de corais tua cintura / Fazer silhuetas de amor à luz da lua / Saciar esta loucura / Dentro de ti / Uma noite / Para unirmos até o fim / Cara a cara, beijo a beijo / E viver para sempre / Dentro de ti / . “  ]  .  

Esta  bela  canção , composta  por  Accioly  Neto ,  apresenta  , com  muita  expressão  lírica , a  configuração  de  alguém  muito  apaixonado  arrependido  de  atos  amorosos  desfavoráveis , manifestando  um  lindo  pedido  de  perdão  e  exaltando  o  valor  em  ter  o  amor  de  volta , na  certeza  de  que  ainda  há  moradia  no  coração  da  pessoa  amada ,  porque  o  término  de  uma  paixão  não  é          “  ESPUMAS  AO  VENTO  “  . [ “ / Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim / Um grande amor não se acaba assim / Feito espumas ao vento / Não é coisa de momento, raiva passageira / Mania que dá e passa, feito brincadeira / O amor deixa marcas que não dá pra apagar / Sei que errei, tô aqui pra te pedir perdão / Cabeça doida, coração na mão / Desejo pegando fogo / E sem saber direito a hora e o que fazer / Eu não encontro uma palavra só pra te dizer / Ai, se eu fosse você eu voltava pra mim de novo / E de uma coisa fique certa, amor / A porta vai estar sempre aberta, amor / O meu olhar vai dar uma festa, amor / Na hora que você chegar / (BIS)  / Sei que errei, tô aqui pra te pedir perdão / Cabeça doida, coração na mão / Desejo pegando fogo / E sem saber direito a hora e o que fazer / Eu não encontro uma palavra só pra te dizer / Ah! se eu fosse você eu voltava pra mim de novo / ]  . 

Nesta  linda  composição  de  Mikael  Sullivan  ,  Fagner  , com  sua  bela  interpretação ,  dá  um  toque  especial  à  canção  que  expressa  todo  sofrimento  amoroso de  alguém  que  reconhece  somente  uma  paixão  unilateral , mas  suporta  os  estranhos  comportamento  da  pessoa  amada  através  de  seus    “  DESLIZES  “  . [ “ /  Não sei por que / Insisto tanto em te querer / Se você sempre faz de mim o que bem quer / Se ao teu lado sei tão pouco de você / É pelos outros que eu sei quem você é / Eu sei de tudo com quem andas / Aonde vais / Mas eu disfarço o meu ciúme / Mesmo assim / Pois aprendi que o meu silêncio vale mais / E desse jeito eu vou trazer você pra mim / E como prêmio eu recebo o teu abraço / Subornando o meu desejo tão antigo / E fecho os olhos para todos / Os teus passos / Me enganando, só assim somos amigos / Por quantas vezes me dá raiva te querer / Em concordar com tudo o que você me faz / Já fiz de tudo pra tentar te esquecer / Falta coragem para dizer que nunca mais / Nós somos cúmplices, nós dois / Somos culpados / No mesmo instante em que teu corpo / Toca o meu / Já não existe nem o certo nem errado / Só o amor que por encanto aconteceu / E é só assim que eu perdoo os teus deslizes / E é assim o nosso jeito de viver / Em outros braços tu resolves tuas crises / Em outras bocas não consigo te esquecer / . “  ] .

Em  uma  singela  mensagem  , esta  canção  faz  abordagem  sobre  os  mistérios  de  nossos  sentimentos  , fundamentalmente  quando  se perde  um amor  deixando  na  memória  pedaços  de  cenas  que  resultam  em  saudade  quando  ativados , tudo  como  fruto  de uma    “  REVELAÇÃO  “ . [ “ / Um dia vestido de saudade viva / Faz ressuscitar / Casas mal vividas, camas repartidas / Faz se revelar / Quando a gente tenta de toda maneira dele se guardar / Sentimento ilhado, morto, amordaçado / Volta a incomodar /  (  2 x ) /  Quando a gente tenta de toda maneira dele se guardar / Sentimento ilhado, morto, amordaçado / Volta a incomodar / Volta a incomodar / Volta a incomodar / . “  ]  .



Encerrando  a  apresentação  de  FAGNER  ,  o  Cantinho  Musical  escolheu  uma  canção  que  toca  profundamente  no  sentimento  das  pessoas  ,  porque é  uma  mensagem  comportamental  diante  do  homem  e  da  vida ,  demonstrando ,  na  trajetória  de  seu  versos ,  o  compromisso da  sociedade  com  respeito  que  se  deve  ter  ao    “  MENINO   GUERREIRO  “ .  [ “ /  Um homem também chora / Menina morena / Também deseja colo / Palavras amenas / Precisa de carinho / Precisa de ternura / Precisa de um abraço / Da própria candura / Guerreiros são pessoas / São fortes, são frágeis / Guerreiros são meninos / No fundo do peito / Precisam de um descanso / Precisam de um remanso / Precisam de um sonho / Que os tornem perfeitos / É triste ver este homem / Guerreiro menino / Com a barra de seu tempo / Por sobre seus ombros / Eu vejo que ele berra / Eu vejo que ele sangra / A dor que traz no peito / Pois ama e ama / Um homem se humilha / Se castram seu sonho / Seu sonho é sua vida / E a vida é o trabalho / E sem o seu trabalho / Um homem não tem honra / E sem a sua honra / Se morre, se mata / Não dá pra ser feliz / (3X) / .].  .

      Iniciaremos  agora  uma  exposição  de  algumas  pérolas  musicais  de  DJAVANDjavan Caetano Viana ,  nasceu  em  Maceió , no  dia  27  de janeiro de  1949 , é  um  cantor ,  compositor ,  produtor  musical  e  violonista  brasileiro.As músicas de Djavan são conhecidas pelas suas "cores". Ele retrata muito bem em suas composições a riqueza das cores do dia a dia e se utiliza de seus elementos em construções  metafóricas  de maneira distinta dos demais compositores. As músicas são amplas, confortáveis chegando ao requinte de um luxo acessível a todos. Até hoje é conhecido mundialmente pela sua tradição e o ritmo da música cantada.    Por sua originalidade e polinização de suas canções, a única coisa que se pode prever a cada novo trabalho de Djavan é sua versatilidade de tons.  Em 1973 foi para o Rio de Janeiro onde teve ajuda do radialista Edson Mauro, que o apresentou a Adelzon Alves, que o levou para o produtor da Som Livre, João Mello que lhe deu a oportunidade de gravar músicas de outros artistas .  O reconhecimento aconteceu mesmo em 1975 quando participou do Festival Abertura e conquistou o segundo lugar com a música "Fato consumado".

    
Apresentaremos  agora,  neste  espaço,  algumas  maravilhosas  canções  que  foram  sucessos  e  estão  fixadas  musicalmente  na  memória  dos  que  curtem  belas músicas . Iniciaremos  com uma  linda  canção  que  fez e faz  um  enorme  sucesso e  que  especularam  sobre  o  que  inspirou  Djavan  a compor  esta  pérola  musical com  o  fato  de que  perdera  uma   filha  no parto da  mulher , o  que  em  entrevista fora  desmentido pelo  autor . Trata-se  de  uma  poesia que  inspira  grande  tristeza  pela  perda  de  um  grande  amor que cria  uma  grande  ilusão , entregando seu  coração para  mulher  amada , consequentemente   não consegue ser raiz da “  FLOR  DE  LIS  “  .[ “ / Valei-me, Deus! / É o fim do nosso amor / Perdoa, por favor / Eu sei que o erro aconteceu / Mas não sei o que fez / Tudo mudar de vez / Onde foi que eu errei? / Eu só sei que amei, / Que amei, que amei, que amei / Será talvez / Que minha ilusão / Foi dar meu coração / Com toda força / Pra essa moça / Me fazer feliz / E o destino não quis / Me ver como raiz / De uma flor de lis / E foi assim que eu vi / Nosso amor na poeira, / Poeira / Morto na beleza fria de Maria / E o meu jardim da vida / Ressecou, morreu / Do pé que brotou Maria / Nem margarida nasceu. / (BIS) / “  ]  .


Djavan  com  uma  simples  canção  descreve  em  pequenos  versos  a visão  do  amor  perfeito que  resulta  em  grande  sofrimento  demonstrado  em  uma  linha  poética  traduzida  em   “  MEU  BEM-QUERER  “ .  [ “ /  Meu bem-querer / É segredo, é sagrado / Está sacramentado / Em meu coração / Meu bem-querer / Tem um "quê" de pecado / Acariciado pela emoção / Meu bem-querer, meu encanto / Tô sofrendo tanto / Amor / E o que é o sofrer / Para mim que estou / Jurado pra morrer de amor? / . “  ]  . 






Dar  mais  vida  aos  fenômenos  da  natureza  em  recursos  metafóricos  é  o  eixo  semântico desta  bela canção  em  que  singelamente  Djavan  associa  todos  os  fenômenos   às  emoções  por  ele  sentida  em  uma  coloração    “  LILÁS “   .  [ “ /  Amanhã / Outro dia / Lua sai / Ventania abraça / Uma nuvem que passa no ar / Beija / Brinca / E deixa passar / E no ar / De outro dia / Meu olhar / Surgia nas pontas / De estrelas perdidas no mar / Pra chover de emoção / Trovejar... / Raio se libertou / Clareou / Muito mais / Se encantou / Pela cor lilás / Prata na luz do amor / Céu azul / Eu quero ver / O pôr do sol / Lindo como ele só / E gente pra ver / E viajar / No seu mar / De raio / . “  ]  . 



Há  nesta canção  um  enorme  desejo  de  retornar  às  suas  raízes ,  depois  de  uma  retirada  do  espaço  que  motiva  uma  imensa  saudade  de  grandes  momentos  de  felicidade  sentida  pelo  seu  “  SERRADO  “  .  [ “ /  Se o Senhor me for louvado / Eu vou voltar pro meu serrado / Por ali ficou quem temperou / O meu amor e semeou em mim / Essa incrível saudade / Se é por vontade de Deus / Valei, valei / Se pedir a Deus pelo meu prazer / Não for pecado, vou rezar / Pra quando eu voltar a rever / Todas as brincadeiras do passado / Cortejar meu serrado / Em dia, feriado / Viva o cordão azul e encarnado / Eu sei, serei feliz de novo / Meu povo, deixa  eu chorar com você / Serei feliz de novo / Meu povo, deixa eu chorar com você / Serei feliz de novo / Meu povo, deixa eu chorar / . “  ]  . 


Com  enorme  emoção,  Djavan recita , e  não  canta ,  versos  maravilhosos  comparando  o  amor  com  várias  circunstâncias  da  vida na  tentativa  de  conceituar  todo  sentimento  amoroso numa  explanação  de  causa  e  efeito concluindo ,  através  de  seus  sentimentos,  que  está    “   FALTANDO  UM  PEDAÇO “ .  [ “  /    O amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha / Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha / Comparo sua chegada com a fuga de uma ilha / Tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha / O amor é como um raio galopando em desafio / Abre fendas cobre vales, revolta as águas dos rios / Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho / Na pureza de um limão ou na solidão do espinho / O amor e a agonia cerraram fogo no espaço / Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço / E o coração de quem ama fica faltando um pedaço / Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços / . “  ]  . 

Encerrando  esta  pequena  demonstração  de  uma  imensa  coletânea  musical  de  Djavan , o  “ Cantinho  Musical  “ selecionou  uma  bela  canção  que  versa  sobre  os  efeitos  causados pelo  enorme  sofrimento da  paixão expresso  em  cada  estrofe onde  o  amor é  o  motivo  que  faz  padecer  a  pessoa  amada , tornando- a,  metaforicamente ,  verdadeiro  servo de  um  “ SAMURAI  “ .[ “ /Ai / Quanto querer / Cabe em meu coração / Ai / Me faz sofrer / Faz que me mata / E se não mata, fere / Vai / Sem me dizer / Na casa da paixão / Sai / Quando bem quer / Traz uma praga / E me afaga a pele / Crescei, luar / Pra iluminar as trevas / Fundas da paixão / Eu quis lutar / Contra o poder do amor / Caí nos pés do vencedor / Para ser o serviçal / De um samurai / Mas eu tô tão feliz!  /Dizem que  o  amor  atrai / .”  ]  .    
   
 “ QUANTO  MAIS  SE  CRISTALIZA  UMA  VOZ , TANTO  MAIS SE ENRIQUECEM  AS  BELAS  CANÇÕES  QUE  SÃO  FIXADAS  NA  MEMÓRIA  DOS  OUVINTES  DAS  BOAS  MÚSICAS .  FAGNER  E  DJAVAN  TÊM,  EM  SEUS CANTOS , AS  ESSÊNCIAS  DO  CRISTAL , CONSERVANDO,  CADA  UM,  AS  SUAS  BRILHANTES  CARACTERÍSTICAS MUSICAIS ! “
 
 Waldemar  Pedro  Antonio                   e-mail :  [email protected]
 

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