08/04/2016 às 00h00min - Atualizada em 08/04/2016 às 00h00min

Ao votar você leva em consideração o Partido ou o candidato?

Luiz Otávio Meneghite

Eu sempre votei em pessoas pelo que elas são e não em partidos políticos e quando falo com meus amigos sobre isso, percebo que a maioria também age assim. Mas, tenho muitos amigos e percebo falta de entusiasmo deles em relação a partidarismo. Grande parte segue uma determinada liderança e o partido ao qual ela esteja filiada. Conheço algumas dessas ditas lideranças políticas em Leopoldina que já mudaram de Partido tantas vezes quanto mudaram de cuecas.

Já perguntei a algumas pessoas envolvidas diretamente com a política local se elas conheciam o Estatuto do Partido ao qual elas estavam filiadas e a resposta foi decepcionante. Ninguém afirmou com segurança conhecer tal estatuto e a maioria nem sabia que isso existia.

A legislação brasileira exige a filiação partidária para quem queira se candidatar a um cargo político e ai surge uma situação no mínimo constrangedora: nesse período pré-eleitoral fizeram tantas filiações partidárias que quando houver o fechamento de chapas e coligações muita gente boa, que gostaria de disputar o pleito de 2 de outubro, vai ficar de fora e poderá se sentir enganada. Já vi esse filme aqui em Leopoldina repetidas vezes.

Candidaturas avulsas

O ex-integrante do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Célio Borja, 87 anos, concedeu recentemente uma entrevista a um canal de televisão em que ele fez um apelo ao Congresso Nacional em defesa daquilo que seria uma grande novidade no cenário político brasileiro: a adoção de candidaturas independentes. Em resumo: “qualquer cidadão brasileiro teria o direito de se lançar candidato a cargos no legislativo no executivo - inclusive à Presidência da República -  sem precisar se filiar a partidos políticos”. Segundo o ex-ministro, “a existência de tais candidaturas seriam uma bela demonstração de liberdade no exercício de direitos políticos”. O problema, diz ele,  “é que os partidos dificilmente aceitariam abrir mão do poder que hoje exercem sobre a escolha de candidatos”.

Na entrevista, Célio Borja considera que “a Constituição fez uma loucura: condicionou a candidatura a cargos eletivos à apresentação de um partido. Se você não for membro de um partido e ele não lhe apoiar a candidatura, você não é nada, não pode ser nada. Como se pode quebrar essa ditadura? Penso que a maneira mais simples é a inglesa: você pode ser candidato avulso. Você se apresenta com o apoio de um número determinado de eleitores. Um determinado número de  eleitores apresenta a candidatura. Fazem as vezes do partido. Tornam séria a candidatura, portanto - porque, se você fosse candidato de você mesmo, não tinha muita graça...Mas, dessa maneira, não: você tem o apoio expressivo de uma parte do eleitorado e, portanto, mostra que tem condições também de se eleger. Penso que essa é uma salvaguarda contra a tiranização que os partidos exercem sobre a vida política”, diz o ex-ministro do STF complementando: “A liberdade do exercício dos direitos políticos, deve ser exercida amplamente e a candidatura avulsa ajudaria a contrabalançar a onipotência partidária. Isso ninguém pode negar. O grande problema é o dinheiro", finalizou.

A nova enquete

O Jornal Leopoldinense, dando sequência a uma série de enquetes sobre eleições, apresenta a que vai ficar disponível para votação pelos seus leitores pelos próximos 15 dias: Ao votar você leva em consideração o Partido ou o candidato? CLIQUE AQUI PARA VOTAR

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