25/04/2016 às 09h31min - Atualizada em 25/04/2016 às 09h31min

MINGUINHO

CAÇADORES E PESCADORES LEOPOLDINENSES - II - Leopoldina-MG – Anos 1950/60

Na foto de Gilberto da Silva Pinheiro da década de 1980 ele aparece (à dir.) na Praça do Ginásio conversando com seu amigo José Bastos.
MINGUINHO - Quem é mais velho (como eu, por exemplo) certamente conheceu ou ouviu falar de Domingos Jardim Junqueira, o popular Minguinho, pai do José Mauro Barbosa Junqueira.
Exímio mecânico, motociclista, chofer, operador de máquinas, pescador, caçador, dono de restaurante, artesão com a madeira, enfim, um indivíduo versátil.  Um “faz tudo”.
Eu o conheci em 1964 e, para satisfazer uma curiosidade natural, perguntei a ele sobre a veracidade ou não dos “casos e causos” atribuídos a ele, que até pareciam loucuras.
A primeira resposta que obtive foi uma estrondosa gargalhada – já que o tom de voz dele era naturalmente elevado – e um leve tapa no meu ombro, seguido da resposta:

...“É, o povo aumenta, mas não inventa”, mas a maioria dos casos é verdadeira.
“Caso 1” - Na antiga Garagem Avenida (ao lado do DNER) funcionava a revenda de veículos Studebaker e uma bomba de gasolina, isso lá pelos anos 1940/50 (e não sei o Minguinho era sócio da empresa ou amigo dos donos).

O fato é que num determinado dia o tanque subterrâneo da bomba de gasolina incendiou-se misteriosamente e o pânico, tanto na empresa quanto nas imediações, alastrou-se tão rapidamente quanto as chamas saíam pelo tampão do tanque, no rés do chão, ...e não havia Corpo de Bombeiros na cidade.

Gritos de socorro; baldes d’água atirados que só serviam para esparramar ainda mais o combustível em chamas; pedidos de ajuda; enfim, um CAOS.
Correndo e chegando na empresa eis que surge Minguinho, que, tal qual diria Sherlock Holmes – “elementar, meu caro Watson” -  logo “sacou” a solução para o problema.

Correu para dentro do prédio; catou todas as toalhas, macacões, roupas e tecidos que encontrou; mergulhou aquilo tudo num tanque d’água; dobrou e arranjou os tecidos molhados de forma que formassem um “escudo protetor”; colocou o “escudo” à frente do seu corpo e “mergulhou” em cima do tampão do tanque, ou seja, no “olho do fogo”.

O Minguinho é doido, gritaram uns.  Cuidado, vai morrer queimado, gritavam outros. 
Mas, com aquela “louca” atitude e para alívio de todos os presentes ...e ausentes, o fogo extinguiu-se.
Como é que você fez? Perguntaram ao Minguinho.

Sorrindo, ele responde: Assim como nós precisamos de oxigênio para respirar e sobreviver, se formos SUFOCADOS, MORREREMOS.  Eu só SUFOQUEI o fogo, para que ele MORRESSE e os tecidos molhados serviram-me de “escudo” para que eu não me queimasse com o calor danado que estava perto do fogo.
Fogo apagado. Perigo dominado. Doravante, muito cuidado, recomendou Minguinho.

(É, para fazer uma coisa dessas, só mesmo o “doido” do Minguinho, comentava o pessoal.)

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