16/06/2017 às 13h45min - Atualizada em 16/06/2017 às 13h45min

O pouso de um colibri na passarela do samba: Beija Flor

WALDEMAR PEDRO ANTÔNIO
“   É  ELA  A  DEUSA  DA  PASSARELA “              
“   BEIJA-FLOR , MINHA  ESCOLA , MINHA  VIDA , MEU  AMOR  “
“   OLHA  A  BEIJA-FLOR  AÍ , GENTE ,  CHORA  CAVACO !  “
        
O   Cantinho  Musical  traz  para  a  passarela  de  nossas  publicações  a  mais  jovem  e  vitoriosa  Escola  de  Samba  da  Baixada  Fluminense  que ,  com  muita  disposição  dos  sambistas  de  sua  comunidade  e  uma  organização  exemplar  com  a  batuta  de  um  chefe ,  abrilhanta   anualmente  o  desfile  das  escolas  de  samba  do  Grupo  Especial ,  sendo  ultimamente  a  agremiação  que  mais  torcedores  conseguiu  pintando  seus  corações  de  AZUL  E  BRANCO  :   “   BEIJA-FLOR   “  .

         Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor  , popularmente referida como Beija-Flor de Nilópolis , é uma escola de samba brasileira do município de Nilópolis, no  Rio  de  Janeiro . A Beija-Flor de Nilópolis nasceu nas comemorações do Natal de 1948. ... Em 1977, Aniz Abraão David assume a Presidência e projeta a Escola de Samba de Nilópolis como uma das mais famosas do mundo. Um grupo formado  por  vários  sambistas  nilopolitanos  resolveu formar um bloco que  recebeu o nome de Beija-Flor . A escola não conseguiu manter-se entre as grandes agremiações, só voltando a aparecer e, de forma definitiva no antigo Grupo 1, a partir de 1974  .  Querendo tornar-se competitiva, a escola mirou nos Acadêmicos do Salgueiro que era a escola de maior sucesso e bicampeã do carnaval naquele momento, e foi lá buscar os trunfos que mudariam sua história.  Contratando Joãosinho Trinta e Laíla, a dupla levou muito conhecimento adquirido nos vitoriosos carnavais do Salgueiro, bem como integrantes e destaques da escola tijucana para Nilópolis. O  resultado não poderia ser outro a não ser um histórico tri-campeonato e a quebra pela primeira vez na história da hegemonia das quatro grandes no carnaval (Mangueira, Portela, Salgueiro e Império Serrano).  De lá pra cá a escola construiu uma trajetória de absolutos sucessos e carnavais inesquecíveis com momentos que ficaram para sempre na história carnavalesca brasileira. 

  
   Passemos  neste  instante  a  apresentar  alguns  sambas-enredo  que  deram  vida  ao  desfile da  BEIJA-FLOR  na  Passarela  do  Samba  tornando-a  em  toda  apresentação   basicamente  a  favorita  para  vencer  a  competição  dentre  muitos  belos  concorrentes .  O  seu  primeiro  sucesso  em  que  se  tornou  campeã  foi  em  1976 com  o  samba-enredo  composto  por  Neguinho Do Valecadenciando  um  tema  bem  popular  que  envolve o cotidianamente  o  carioca  narrando  a  história  do  “  jogo  de  bicho “  :   “   SONHAR  COM  REI  DÁ  LEÃO  “ .  [ “ /Sonhar com anjo é borboleta / Sem contemplação / Sonhar com rei dá leão / Mas nesta festa de real valor, não erre não / O palpite certo é Beija-flor (Beija-flor)  / Cantando e lembrando em cores / Meu Rio querido, dos jogos de flores / Quando o Barão de Drummond criou / Um jardim repleto de animais / Então lançou... / Um sorteio popular / E para ganhar / Vinte mil réis com dez tostões / O povo começou a imaginar... / Buscando... no belo reino dos sonhos / Inspiração para um dia acertar / Sonhar com filharada... é o coelhinho / Com gente teimosa, na cabeça dá burrinho / E com rapaz todo enfeitado / O resultado pessoal... É pavão ou é veado / Desta brincadeira / Quem tomou conta em Madureira / Foi Natal, o bom Natal / Consagrando sua Escola / Na tradição do Carnaval / Sua alma hoje é águia branca / Envolta no azul de um véu / Saudado pela majestade, o samba / E sua brejeira corte / Que lhe vê no céu / . “  ]  .

Em  1978  este   samba-enredo,  composto  por  Gilson / Mazinho / Neguinho Da Beija-Flor, fez  parte  do tricampeonato  da  escola  cujo  tema  versava  sobre  um  fato  histórico , ligado  à  narrativa  onde  exalta  os  valores  culturais  do  povo  africano  segundo  “   A CRIAÇÃO  DO  MUNDO  NA  TRADIÇÃO  NAGÔ  “ . [ “ / Bailou no ar / O ecoar de um canto de alegria / Três princesas africanas / Na sagrada Bahia / Iyá Kalá, Iyá Detá, Iyá Nassô / Cantaram assim a tradição Nagô / (Olurun) /Olurun! Senhor do infinito! / Ordena que Obatalá / Faça a criação do mundo / Ele partiu, desprezando Bará / E no caminho, adormecido, se perdeu / Odudua / A divina senhora chegou / E ornada de grande oferenda / Ela transfigurou / Cinco galinhas d'Angola e fez a terra / Pombos brancos criou o ar / Um camaleão dourado / Transformou em fogo / E caracóis do mar /Ela desceu, em cadeia de prata / Em viagem iluminada / Esperando Obatalá chegar / Ela é rainha / Ele é rei e vem lutar / (Ierê) / Iererê, ierê, ierê, ô ô ô ô / Travam um duelo de amor / E surge a vida com seu esplendor / . “  ]  .

Joãosinho  Trinta tomou  uma  atitude  ousada   em  levar  para  avenida  um  tema  polêmico  em  1989  com  um  samba-enredo  composto  por  Betinho / Glyvaldo / Osmar / Zé Maria · A  linha  de  raciocínio  temático  de  joãosinho  era  um  choque na  sociedade  sobre  o  luxo  e  a  pobreza ,  criticando e demonstrando,  através  da  imaginação,  o  traço  diferenciador  existente  na  mistura  de  classe no  carnaval : “ Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia “.   [ “ / Reluziu... É ouro ou lata / Formou a grande confusão / Qual areia na farofa / É o luxo e a pobreza / No meu mundo de ilusão / Xepa de lá pra cá xepei / Sou na vida um mendigo / da folia eu sou rei (bis) / Sai do lixo a pobreza / Euforia que consome / Se ficar o rato pega / Se cair urubu come / Vibra meu povo / Embala o corpo / A loucura é geral / Larguem minha fantasia / Que agonia... Deixem-me / Mostrar meu carnaval / Firme... Belo perfil! / Alegria e manifestação / Eis a Beija-flor tão linda / Derramando na avenida / Frutos de uma imaginação / Leba - laro - ô ô ô ô / Ebó lebará - laiá - laiá – ô / Reluziu... / . “  ]  .

Em  1987  , a  Beija-Flor , com  um  samba-enredo  composto  por  Gilson Dr / Mazinho ,  apresentou  na  passarela , como  verdadeiro espetáculo ,  uma  bela  homenagem  ao  teatro  irradiando  durante  toda a trajetória  do  desfile e usando  na  letra  de  seu  samba  uma  intertextualidade de  uma  canção  representando  “ As  Mágicas  Luzes  da  Ribalta  “  .      [ “ /  Ao descerrar a cortina / O palco se ilumina / Tudo é brilho, luz e cor (luz e cor) / Mergulhei na poesia / Drama, riso e fantasia / Num cenário multicor / Surgiu de uma era distante / Esta arte fascinante / Que ao mundo inteiro deslumbrou / Com encanto e magia / O teatro irradia / A mais pura emoção / E hoje / Esta beleza infinita / Acontece na Avenida / É a minha escola a sensação / E lá no céu / Uma estrela brilhou / Anunciando a alegria (bis) / Que a passarela contagia / Com beleza e esplendor / Para que chorar o que passou / Lamentar perdidas ilusões / O meu povo vibra (bis) / Cheio de euforia / Extasiando os corações / . “  ]  . 

Em  1992  com  um  samba-enredo  composto  por  Dinoel  Sampaio / Itinho / Neguinho Da Beija-Flor ,  a  Beija-Flor   homenageou  a   mais  importante  invenção  do século  em  uma  bela  referência  à  televisão  que  desde  a  sua  descoberta  tem  a  função  de  informar ,  alegrar e registrar  através  da  imagem   um  acontecimento  em  sua  tela  midiática , levando temas  maravilhosos   para  divertir  os  telespectadores  durante  sua  programação :  “  Há um Ponto de Luz na Imensidão  “ .[ “ / Um ponto de luz surgiu, oi! / Na magia desta invenção / Descortinando o infinito / Preto e branco ou colorido / É imagem na televisão / Baila, cristalino, irreal / O poder da criação / Trazendo encantos e culturas / Na simplicidade de um botão / Que rei sou eu, que rei eu sou / Ô ô ô ô / Que rei sou eu, que rei eu sou / Vivendo neste mundo de esplendor / Revivendo, oi / As belezas naturais /O céu, a terra, o mar / E no lindo Pantanal / A lenda diz que a mulher / Vira um belo animal / A cada ponto é uma arte que reluz / É o teu futuro que me seduz / Clareando humanidades / Serás a guia / Criatura iluminada eu serei / Enriquecido de sabedoria / Olê, lê, ô, vamos cantar / É TV anunciando / A Beija-flor está no ar / .  ]  . 

Há  neste  samba-enredo  de  2007 composto  por  Carlinhos Do Detran / Cláudio Russo / Gilson Dr. / J. Velloso  ,  uma  mistura  originária  da  relação  racial  narrada  sobre  a  visão  histórica  da  origem  do  negro  com  sua  chegada  ao  Brasil ,  desfilando  em  um  misticismo  respeitoso  e  tradicional  os  deuses  formadores  de  estágios  de  suas  culturas  e  seus  heróis  que lutaram pela  liberdade  como  verdadeiros  destaques  dos  acontecimentos  ocorridos:         “   Áfricas: Do Berço Real à Corte Brasiliana  “.         [ “ /  Olodumarê, o deus maior, o rei senhor / Olorum derrama a sua alteza na Beija-flor / Oh! Majestade negra, oh! mãe da liberdade / África: o baobá da vida ilê ifé / Áfricas: realidade e realeza, axé / Calunga cruzou o mar / Nobreza a desembarcar na Bahia / A fé nagô yorubá / Um canto pro meu orixá tem magia / Machado de Xangô, cajado de Oxalá / Ogun yê, o Onirê, ele é odara / É Jeje, é Jeje, é Querebentã / A luz que bem de Daomé, reino de Dan (bis) / Arte e cultura, Casa da Mina / Quanta bravura, negra divina / Zumbi é rei / Jamais se entregou, rei guardião / Palmares, hei de ver pulsando em cada coração / Galanga, pó de ouro e a remição, enfim / Maracatu, chegou rainha Ginga / Gamboa, a Pequena África de Obá / Da Pedra do Sal, viu despontar a Cidade do Samba / Então dobre o Run / Pra Ciata d`Oxum, imortal / Soberana do meu carnaval, na princesa nilopolitana / Agoyê, o mundo deve o perdão / A quem sangrou pela história / Áfricas de lutas e de glórias / Sou quilombola Beija-Flor / Sangue de Rei, comunidade (bis) / Obatalá anunciou / Já raiou o sol da liberdade / . “  ]  . 

Em  1977 ,  A  Beija-Flor  emocionou  muito  com  um  tema  cantado  na  cadência  do  samba-enredo  composto  por   Luciano Da Beija-Flor / Savinho Da Beija-Flor   que  versa  sobre  um  saudosismo  dos  velhos  carnavais  simbolizado  na  melancolia  da  vovó  que  a  faz  relembrar  momentos  maravilhosos  vividos  com a  mais  bela  expressão  dos  blocos  e  bailes  em  uma  época  em  que  havia  grande  admiração  e  fascínio  pelo  carnaval :            “   Vovó e o Rei da  Saturnália  na  Corte Egipciana  “ .        [ “ / Caiu dos olhos da vovó/(Lalaiá, laiá)/Uma lágrima sentida/Lembrando imagens de criança/Do velho tempo que passou/O seu pranto é colorido/Nas vivas cores da televisão/Que hoje assiste recordando/Formosos ranchos/e grandes sociedades/No esplendor da noite/Como era lindo a presença do dia/A corte egipciana/Enredos de nostalgia/Não chore não vovó/Não chore não/Veja quanta alegria dentro da/recordação/Relembre a graça do entrudo/E o fascínio do baile de Veneza/Lá em Roma Pagã/Para festejar a primavera Colhiam frutos e faziam orgia/Que começavam ao/romper do dia/E vinha um rei/Num belo carro naval/Alegrando a saturnália/Inventando o carnaval/(De lá pra cá)/De lá pra cá/Tudo se transformou/Mas a vitória da folia ficou/No encanto do meu povo/que brinca/Sambando quando samba a/Beija-Flor / (Vovó) / . “  ]  .

Começa  em  1974  os  temas  sobre  a  propaganda   do  regime  vigente , exaltando  os  feitos  do  lema  “ pra  frente, Brasil “ , que ,  na  concepção  de  alguns  críticos , tratava-se  de  encomenda  do  Executivo , para divulgação  do  trabalho  estruturado  pelo  sistema que  na  época  era  comandado  por  grupo  militar . Nesse  ano  a  Beija-Flor  desfilou cadenciada  pelo  samba-enredo composto  por  João Rosa / Walter De Oliveira  : “  Brasil Ano 2000   “ .          [ “ / É estrada cortando / A mata em pleno sertão (bis) / É petróleo jorrando / Com afluência do chão / Sim, chegou a hora / Da passarela conhecer / A ideia do artista / Imaginando o que vai acontecer / No Brasil no ano 2000 / Quem viver verá / Nossa terra diferente (bis) / A ordem do progresso / Empurra o Brasil pra frente / Com a miscigenação de várias raças / Somos um país promissor / O homem e a máquina alcançarão Obras de emérito valor / É estrada cortando / A mata em pleno sertão (bis) / É petróleo jorrando / Com afluência do chão / Na arte, na ciência e cultura / Nossa terra será forte sem igual / Turismo, o folclore altaneiro / Na comunicação alcançaremos / O marco da potência mundial (bis) / . “  ]  .       

No  centenário  da  libertação  dos  escravos , várias  escolas  desenvolveram  o  tema  como  uma grande  homenagem  à  raça  negra , e  a  Beija-Flor , no  ano  de  1988 ,  não  poderia  deixar  de  desenvolver   com  muito  orgulho  um  enredo  representativo  para  a  História  do  Brasil :  “  Sou Negro, do Egito à Liberdade  “ . [ “ / Vem amor contar agora / Os cem anos da libertação / A história e a arte dos negros escravos / Que viveram em grande aflição / E mesmo lá no fundo das províncias do Sudão / Foram o braço forte da nação / Eu sou negro / E hoje enfrento a realidade / E abraçado à Beija-flor, meu amor / Reclamo a verdadeira liberdade (já raiou) / Raiou o Sol, sumiu  / E veio a Lua (bis) / Eu sou negro, fui escravo / E a vida continua / Liberdade raiou / Mas a igualdade não (não, não, não) / Resgatando a cultura / O grande negro revestiu-se de emoção / (Ih! A Mãe Negra!) / Oh, Mãe Negra faz a festa / O povão se manifesta / Cantando para o mundo inteiro ouvir / Se faz presente a força de uma raça / Que pisa forte na Sapucaí / Dunga Tara Sinherê / Êre rê rê rê (bis) / Êre ré rê rê / . “  ]  .   

Para  encerrar  toda  a  demonstração  musical  que  se  fixou   na  galeria  de  sambas   da  Beija-Flor ,  selecionamos  um  tema  que  faz  uma  abordagem  sobre  a  descoberta  do  Brasil .  Em  1984  ,  com  o  samba-enredo  composto  pelos  irmãos  Nego  e  Neguinho  da  Beija-Flor ,  a  escola  levou  para  a  avenida  um  lindo  cenário  que  narra  toda  uma  trajetória  do  descobrimento  do  Brasil , apresentando ,  com  muito  orgulho ,   a  formação  de  raças  que  contribuíram  para  a  grandeza  da  nação   “  O Gigante em Berço Esplêndido  “  .       [ “ / Navegando rumo as Índias / E sonhando com riquezas / Caravelas portuguesas  / Os Deuses, outros caminhos destinaram / Ecoou / Terra a vista um grito emocionante / Era o berço do gigante / Esbanjando esplendor / Índios, selvas, mitos / E os negros com a forca e magia / Fizeram pulsar com alegria o coração / De uma criança nação / Mas na ânsia de crescer / Do berço fértil se afastou / O seu olhar marejou o sofrer / Em lagrimas que servem de lições / E o gigante é o nosso povo / Reconstruindo um Brasil novo / Cheio de vida organizando mutirões / E tem fuzuê alegrando o patropi / No samba lê lê / Vamos cantar e sorrir /   ] .
 
        O  Cantinho  Musical  espera  que  esta  pequena  apresentação  de  alguns  sambas-enredo  que  marcaram  época  nos  desfiles  da  Beija-Flor coincida  com  os  gostos  de  nossos  leitores  e  especialmente  daqueles  que  têm  a  “  Agremiação  do  Colibri  “   no  fundo  de  seus  corações !
 
   “   O   SÍMBOLO  DE  UM  MINÚSCULO  PÁSSARO  NÃO  TRADUZ  A  GRANDEZA  DE  UMA  AGREMIAÇÃO  DE  SAMBISTA ,  MAS  EMBELEZA  O  CENÁRIO  COM  UMA  SUTILEZA   E   COM  IMENSO  CARINHO   QUANDO  O  COLIBRI   “  BEIJA A FLOR  “ .  SÃO  DOIS  TERMOS  COMPOSTO  EM  UMA  ÚNICA  EXPRESSÃO  QUE  REPRESENTA  O  “   A M O R  “  NO  ATO  DO BEIJO E  O  “ FLORESCER  “   DE  UM  B E L O  VEGETAL  , ORNAMENTANDO   A  BELEZA  DA  ESCOLA  NILOPOLITANA  !  “ 
 
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