03/12/2018 às 21h19min - Atualizada em 03/12/2018 às 21h19min

GILBERTO SILVA PINHEIRO, fotógrafo – Leopoldina – Outubro/2018

Edson Gomes dos Santos

Gilberto e Vera
Ele faleceu neste mês e registrar algo sobre ele foi-me imperioso pela amizade que tivemos.
Apesar da diferença em nossas idades, comecei a com ele relacionar em 1965, ano em que estudamos no Colégio de Cataguases, ele na quarta série ginasial e eu na terceira.

Diariamente íamos de Leopoldina a Cataguases – estrada antiga, sem pavimentação – na Kombi do Hamilton (Nenzinho) Zachini, juntos com o professor Joarês Sílvio da Costa e nossos colegas que lá também estudavam: Edmundo “Mundinho” Guimarães, Roberto “Tim” Fontes, e o Lupatini.

Naquela época Gilberto já fotografava e desenvolvia suas perspicácia, oportunidade e presteza nos registros fotográficos, quer animados, quer inanimados.

Antonio, meu irmão, dizia que ele, quando saía com sua máquina a tiracolo, levava no bolso os mais variados tipos de “recursos” fotográficos - flores, folhas, aranhas, abelhas, formigas, água, tinta, etc. – enriquecedores dos temas visados ou escolhidos para registro.

Claro que era gozação, mas que o Gilberto tinha “algo” que o despertava para os mais diversos detalhes, isso ele tinha.
Em julho/1977, Gilberto, a esposa Vera, meu irmão Antonio e eu, fomos a Itanhandu visitar minha irmã, Carmen.

Próximo a Itanhandu fica a cidade de Passa Quatro, onde havia uma estação de projeto de reflorestamento patrocinado pelo IEF – Instituto Estadual de Florestas, cuja área era aberta à visitação pública e, até lá, fomos.    

No “instituto do pinho”, como era conhecido, havia um local onde as copas das árvores se encontravam, obscureciam a estrada e formavam um túnel de árvores que era tratado como “Estrada Sombria”, e, sob as árvores, no res do chão, as folhas caídas dos pinheiros formavam um colchão de folhas tal qual um almofadão estofado sobre todo o solo.

Por lá passávamos, quanto Gilberto pede para dar uma parada, desce do carro, pendura sua Yashica no ombro, adentra entre as árvores, e, daí a pouco ele grita chamando pelo Antonio e por mim. 

Para lá seguimos e, com um sorriso maroto, Gilberto diz:

- Antonio, você me goza dizendo das aranhas, água e abelhas que sempre trago comigo.
- Edson, você é testemunha ocular deste momento de desmentido.
- Olhem e vejam o que vi, fotografei e NÃO TROUXE COMIGO O COGUMELO NEM O SOL.

Olhamos, Antonio e eu, e, surpresos constatamos que naquele quase breu, sem luminosidade, um raio de sol “vazava” a escuridão e iluminava, tão somente, um GRANDE COGUMELO, que, com nossos olhos, constatamos ser o ÚNICO existente até onde nossas vistas alcançavam.

A foto documental ficou linda e a esposa Vera ainda deve ter tal registro.

(Ao amigo Gilberto, SAUDADES.   À Vera um CALOROSO e ABRAÇO AMIGO.)  

 
Edson Gomes Santos – Ribeirão Preto-SP - 2018

 

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