16/07/2019 às 09h07min - Atualizada em 16/07/2019 às 09h07min

DIDI FERREIRO E A MARRETA SEXTA-FEIRA – Leopoldina-MG – 1963

Edson Gomes dos Santos

Sempre que assisto ao programa de tv “Desafio Sob Fogo”, vem-me à mente o Didi Ferreiro na sua lida diária na arte da metalurgia em sua oficina, logo ali, perto do Rosário, na Chácara Dona Euzébia.

Meu pai, Eduardo Santos, atuava no comércio de máquinas de costura e uma das ferramentas utilizadas era uma chave de fenda de forjada pelo Didi a partir de um fuso de aço de um tear, chave essa que tinha cerca de 70 centímetros, era apelidada “tira-teima”, e destinava-se aos apertos e desapertos de parafusos grandes e “teimosos”.

Quando a ponta da chave ficava rombuda ou quebrava, eu a levava ao Didi para que ele refizesse, forjasse e temperasse a ponta novamente.

Parafuso “teimoso” quebra a ponta da chave, meu pai me chama e diz para eu levá-la ao Didi.
Chego à oficina, entrego a ferramenta ao Didi para o conserto e fico no aguardo do término.

Suando às bicas e trafegando entre a forja e a bigorna conduzindo o metal em brasa a ser malhado, estava o auxiliar de ferreiro (cujo nome não me lembro).

Fiquei olhando o pesado e suado trabalho do auxiliar, imaginando o peso da marreta com que ele trabalhava.

Ao ser-me entregue a ferramenta consertada, teço um comentário sobre o serviço quente e pesado do auxiliar, ao que Didi solta uma estrondosa gargalhada ...e relata:

 “O meu auxiliar é um excelente profissional, porém tinha um sério problema com o excesso de bebida que consumia nos fins de semana, onerando seus familiares.

Ele começava na sexta-feira logo após sair daqui e só parava no domingo ...porém não bebia durante a semana, o que é um alívio para ele e seus familiares.

Então, tentando ajudá-lo, resolvi fazer uma experiência e parece que está indo às mil maravilhas pois, às sextas-feiras ele trabalha com a “Sexta-Feira”, apelido que atribuí à marreta de 10 quilos que, por sinal, hoje ele a está usando ...e suando.

Após passar os expedientes das sextas-feiras trabalhando com “ela”, o suadouro e  o desgaste físico são intensos e exigem repouso e alimentação para suas “normalizações”.

Assim, para alegria da família e graças à Sexta-Feira, ele tem passado os fins de semana longe dos drinques e, caso ainda assim ele venha a “biritar”, as segundas-feira, para ele, terão o “sabor e peso” da Sexta-Feira.”
 
Edson Gomes Santos – Divinópolis - 2018    

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