23/10/2021 às 17h19min - Atualizada em 23/10/2021 às 17h02min

​A fome e o caminhão do osso em Leopoldina!

Paulo Lúcio Carteirinho
Reprodução jornal Extra
 O Brasil passa por uma das piores crises econômicas da sua história. Desemprego na casa dos 14 milhões, inflação na casa dos dois dígitos fazendo com que os preços dos produtos disparassem, principalmente dos alimentos. Com isso muitos não estão conseguindo comprá-los e estamos tendo o retorno da fome no Brasil.

Em Leopoldina a situação não é diferente. Por aqui, cenas que até então a gente assistia apenas pela TV ou redes sociais passam a serem vistas ao vivo. Foi o que aconteceu comigo semana passada, onde vi em Leopoldina uma pessoa cercando o caminhão que recolhe os resíduos dos açougues atrás de um pedaço de osso com um pouco de carne.

Foi uma das coisas mais traumáticas que assistir na minha vida. Até hoje essa cena não sai da minha cabeça. Na verdade, não só ela, mas outras cenas também. Como o aumento de pessoas vivendo nas ruas e   pedindo esmolas. Outra cena difícil de esquecer são as caras tristes nos mercados, onde os carrinhos de compras estão cada vez mais vazios e as pessoas estão se sentindo mal por não conseguirem levar comida para casa.

A situação está tão desesperadora que o próprio governo federal, que tem como ministro da economia, Paulo Guedes, até então um liberal, defensor do Estado Mínimo, foi convencido que é preciso que o governo gaste mais do que arrecada, tendo que furar o Teto dos Gastos.

Essa é a única saída que temos para evitar que essa tragédia não seja ainda pior. O Mercado é claro que não vai reagir bem,  mas esse não tem cara e pelo visto nem coração.
 
Tem uma frase de Derek Bok que diz: “Se você acha que a educação é cara, experimenta a ignorância”. Pego carona nessa frase e digo que quem acha que alimentar o povo é algo caro, saiba que muito mais caro é deixar o povo morrer de fome e ter que gastar com   saúde, tendo em vista que uma pessoa que  não se alimenta ou se alimenta mal, acaba ficando doente  e com isso o governo tenha gastar com ela. Sem contar as pessoas que acabam optando pela prostituição em busca de algum dinheiro, correndo risco de contrair doenças ou ter uma gravidez indesejada e com isso aumentando os gastos do governo. Não poderia deixar de citar também o aumento da violência, onde alguns em momento de desespero acabam roubando e furtando, aumentando a população carcerária, fazendo com que o governo gaste muito mais com presos.

Dessa forma, o governo Bolsonaro agiu bem ao dizer que vai furar o Teto dos Gastos, deixando de lado algumas ideias liberais que só aprofundaram a crise econômica. As reformas da previdência e trabalhistas só pioraram a situação. O que melhorou após a aprovação delas? Elas retiraram dinheiro e direitos dos trabalhadores.  Quem acha que trabalhador ganhando menos é bom para a economia está enganado. Afinal, a base da economia é o consumo. Quando se ganha menos, se gasta menos, com isso gera desemprego.
 
Os mesmos que retiraram dinheiro dos trabalhadores agora estão tendo que criar auxílios de modo aquecer a economia.  Os que até então eram contra o Bolsa Família agora defendem o aumento dele. É o caso do presidente Bolsonaro, que sempre falou mal do programa, assim como dos beneficiados, mas que agora passa a defendê-lo, inclusive aumentando seu valor, além de querer  mudar seu nome para Auxílio Brasil, de modo parecer que ele fez algo voltado para os mais pobres e assim  tirar algum proveito eleitoral em cima disso.

Como aconteceu com o auxílio emergencial que foi imposto pelo Congresso, que obrigou o governo a criar tal benefício de modo manter sua base política e assim espantar o fantasma do impeachment. A equipe econômica do governo teve que ceder à pressão dos políticos e criou o auxílio onde a ideia inicial era pagar apenas R$300,00, mas o Congresso definiu que seria R$ 600,00. Graças a esse auxílio a situação do país não está pior. Se não fosse ele, não sei o que seria do nosso povo.  E não tem como deixar de pagá-lo. Daí a importância de furar o teto de modo manter esse benefício. 

Como pode ver, a solução para sairmos dessa crise passa em dar mais dinheiro ao povo. Como diz o ex-presidente Lula: “Tem que colocar pobre no orçamento”.  Quem acha que ao “invés de dar o peixe deve ensinar a pescar” deve lembrar que hoje o povo está revirando lixo atrás de um pedaço de espinha de peixe. Logo, o governo tem que dar o peixe sim. Como fez Jesus, que multiplicou os peixes e não as varas de pescar. Um governo que diz “Deus acima de todos” deve seguir o exemplo de Jesus e multiplicar os peixes.
 
Não é hora do governo pensar em economizar, de modo aumentar seu PIB, onde  bilhões ficam em bancos rendendo juros, ajudando enriquecer quem já é rico, enquanto o povo brasileiro vai ficando cada vez mais pobre.  A riqueza de um país não se mede olhando o tamanho do seu PIB, mas sim pela  qualidade de vida do seu povo.  Cabe ao governante governar para seu povo e não para o Mercado.

Espero que o prefeito Pedro Augusto também faça sua parte, colocando em prática o projeto de lei aprovado pela Câmara de Leopoldina, que criou o Auxílio Municipal Emergencial (AME), no valor de R$ 250,00 voltado para os que se encontram em situação de vulnerabilidade.  Só assim, vamos evitar cenas de pessoas tendo que recorrer ao caminhão do osso atrás de um pedaço de carne.




 
 
 
 
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