24/05/2022 às 08h22min - Atualizada em 24/05/2022 às 08h22min

Leopoldina, os monumentos abandonados e a megalomania

Luciano Baía Meneghite
Fotomontagem Luciano Baía Meneghite
Não vou questionar o preço anunciado da estátua que a prefeitura pretende fazer da Princesa Leopoldina (R$206.700,00), porque não sei o valor artístico da obra ainda não executada.   A questão não é essa. Poderia também questionar o merecimento ou não da homenagem a alguém que já empresta o nome a cidade apenas por ser filha do Imperador, pois morta muito jovem, sequer pôs os pés por aqui. Mas prefiro falar do momento em que o governo municipal destina essa verba para um novo monumento, quando muitos outros do município estão abandonados, seja por carência de verbas ou por má distribuição destas. Na verdade, situação que perdura há anos.


Ainda durante o governo passado, o busto de bronze do ex-ministro e ex-governador Clóvis Salgado, localizado defronte ao antigo Fórum, atual Centro Cultural Mauro de Almeida na praça Félix Martins foi furtado e tempos depois substituído por um de fibra de vidro. Cadê o novo busto de bronze? E o busto de Vitalino? A proposta da escultura foi aprovada, mas não saiu do papel. Vitalino não tinha “sangue azul” como a princesa, mas era nobre. Até questionei na época se essa seria a  verdadeira homenagem a ele. 


Denunciamos há anos que ali mesmo na mesma praça deteriora-se a cada dia o painel de azulejos “A Lenda do Feijão Cru” do pintor leopoldinense Funchal Garcia. O Lions Clube Leopoldina chegou anunciar sua restauração. A praça foi reformada, mas o painel vai sendo apagado com o tempo.

E o marco de fundação da Rio-Bahia? Também denunciamos o seu abandono às margens do córrego nas Três Cruzes e de lá foi retirado para oficina da prefeitura e até hoje não instalado em seu local original na atual rua José Peres.


Guardado enferrujado no Centro Cultural está o que restou do chafariz original do bairro Pirineus, peça de grande valor (nem tanto artístico), mas sentimental que também no governo passado foi substituído por uma fonte que nunca funcionou direito e hoje é depósito de lixo.
 
Lembramos também do Monumento ao motociclista, doado ao Município pela Associação dos Motociclistas do Estado do Rio de Janeiro, instalado pela prefeitura em 2008 ao lado do pórtico da rua José Peres. O monumento também foi furtado.

Estes são apenas alguns exemplos, muitas outras estátuas, placas, objetos, cuja manutenção é de responsabilidade do Município, permaneceram nos últimos governos sem a devida atenção. Isso sem falar na destruição ou descaracterização de imóveis e bens particulares de valor histórico, arquitetônico e artístico sem praticamente nenhum tipo de fiscalização pelo Município.

Reconhecemos também que há ações positivas. O casarão de Piacatuba de propriedade do Município, cuja situação de abandono também denunciamos, está passando por obras de recuperação. Esperamos em breve mostrá-lo restaurado.

O mesmo ocorre com a praça Pio XII e Alameda Dom Delfim Ribeiro Guedes, há muito tempo necessitando de atenção como diversas vezes publicou o jornal Leopoldinense e agora sendo reformadas.

Muitas ações simples de conservação, seja em monumentos, praças e logradouros são baratas e ganham aplausos da população. Sonhos megalomaníacos e gastos fora de propósito Leopoldina já viu demais por décadas e pelas críticas que a intenção de construir a nova estátua vem recebendo, parece não querer ver mais.

Qual a posição dos membros do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural, Histórico e Natural de Leopoldina? Segundo uma fonte, estes não foram ouvidos. 

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