18/03/2020 às 06h36min - Atualizada em 18/03/2020 às 06h36min

​E agora Rodrigo Pimentel?

No meu último artigo, “E agora Dr. Marco Antônio”, citei um fato curioso que aconteceu na eleição passada e que poderá  se repetir na eleição desse ano, que é a divisão de família por causa da disputa eleitoral.
 
Na eleição passada a família Pimentel ficou dividida, tendo em vista que dois membros da família estiveram em lados opostos. Marcinho Pimentel  concorreu na chapa de Zé Roberto, sendo o vice dele. Do outro lado, estava seu sobrinho Rodrigo Pimentel, na chapa do Breno Coli, também como vice. Na eleição desse ano, Cláudia Conte (PT) poderá disputar  contra seu cunhado Dr. Marco Antônio (PRB). Ambos são pré-candidatos a prefeito.
 
Falando da família Pimentel, sempre foi muito atuante na política,  aproveito para contar um pouco de sua história. A família ganhou destaque na década de 1970, na figura de  Wilson Pimentel, vereador por vários mandatos e que em 1978 concorreu a prefeitura ao lado de Dr. Joaquim Furtado Pinto, o qual se tornou prefeito. Com  a morte de Joaquim Pinto, Wilson Pimentel, que era seu vice, se tornou prefeito  e  governou até 1983.
 
Na década de 1980,  Marcos Aurélio Alvarenga Pimentel (Pachá), filho de Wilson Pimentel, irmão de Marcinho Pimentel e pai de Rodrigo Pimentel, entra na política. Disputou a eleição de 1988, a primeira após o fim da Ditadura Militar. Concorreu ao cargo de vereador e foi eleito, sendo o mais votado.  Dois anos depois (1990),  disputou a eleição  para deputado estadual,  contra Bené Guedes,  que já era deputado na época. Bené é reeleito, Pachá não. Em 1992, disputou a eleição para prefeito, contra o  Zé Roberto  (PSC), que teve  de vice Osmar Lacerda “Liliu” (PMDB)  e foram eleitos  com 17.223 votos. Esse foi o primeiro mandato de Zé Roberto, atualmente ele está no quinto. O  vereador Marco Aurélio Alvarenga Pimentel “Pachá” (PDS)/ Sebastião Coutinho Ramos (PFL)  tiveram 6.604 votos. Teve ainda uma terceira via, Jose Ribeiro Farage “Zé Turquinho” com 839 votos; – (Fonte Luciano Meneghite - Jornal Leopoldinense).
 
Na virada do século, um novo membro da família Pimentel entra na política. Dessa vez, Marcinho Pimentel, filho de Wilson Pimentel  e  tio de Rodrigo Pimentel.  Nas eleições de 2004 ,ele disputou ao lado de Bené Guedes, sendo seu vice.  Essa eleição foi ganha por Zé Roberto(PSC)/Breno Coli (PTB) com 13.950 votos. Zé Roberto vai para seu terceiro mandato.  Bené Guedes(PSDB)/Marcinho Pimentel (PP) tiveram 11.844 votos. Iolanda Cangussu (PT)/Márcio Freire (PV) 3.835 votos.
 
Na eleição de 2006, Marcinho concorreu ao cargo de deputado estadual, obteve 5.511 votos. Não foi eleito, porém como era um dos suplentes  chegou a ocupar o cargo por 30 dias, na ausência do deputado Gil Pereira (PP). Apesar do pouco tempo,  entrou pra história, sendo até o  momento, o último leopoldinense a ocupar o cargo de deputado. Será que Roberto Brito, filho de Zé Roberto, vai tirar esse posto de Marcinho Pimentel?
 
Em 2008,  Marcinho Pimentel  resolve ser candidato a prefeito.  Contra  Bené Guedes, com o qual na eleição passada estiveram  juntos. Bené Guedes (PSDB)/João Ricardo Mothé Fernandes (PDT) venceram com  12.248 votos.  Jose Newton (PMDB)/Dr. Marco Antônio (PT) tiveram 10.690 votos. Marcinho Pimentel (PP)/Cabo Lúcio(PV) tiveram 6.654 votos.
 
Em 2012, Marcinho novamente concorre a prefeito. Dessa vez ao lado do Partido dos Trabalhadores (PT), tendo como vice Dr. Marco Antônio.  A dupla Zé Roberto (PSC) /Breno Coli (PSC),  venceram novamente,  com 15.586 votos. Quarto mandato do prefeito Zé Roberto.  Marcinho Pimentel (PP)/ Doutor Marco Antônio (PT) tiveram 13.620 votos.   Bretas (PRTB)/Silmara Matolla (PRTB) 1.232 votos.
 
Marcinho novamente perdeu uma eleição.  Mas seu sobrinho, Rodrigo Pimentel, foi  eleito vereador, com 605 votos. O  sexto mais votado.  Começando um novo ciclo da família Pimentel. Porém, seu tio Marcinho Pimentel, apesar de derrotado, era o nome mais forte da família. Veio a eleição de 2016 e  algo inusitado aconteceu. Marcinho Pimentel aceitou ser candidato a vice-prefeito de Zé Roberto e acabou concorrendo contra seu sobrinho, Rodrigo Pimentel, que foi candidato a vice-prefeito na chapa do Breno Coli. A família Pimentel pela primeira vez se viu dividida.
 
Zé Roberto/Marcinho Pimentel venceram a eleição com 15.004 votos. Quinto mandato do Zé Roberto.  Breno Coli/Rodrigo Pimentel tiveram 14.720. Os números mostram que não apenas a família Pimentel ficou dividida, mas a população no geral. A diferença entre eles foi de apenas 284 votos. A menor diferença desde a redemocratização. Na eleição de 1992 a diferença do primeiro para o segundo colocado foi de 10.690 votos, 1996 de 549, 2000 de 5.855, 2004 de 2.106, 2008 de 1.558 e   2012  de 1.996 votos.
 
Com a morte de Marcinho Pimentel (2017),  a família Pimentel está novamente unida na política. Tendo como único representante  Rodrigo Pimentel, que é um dos pré-candidatos a prefeito.
 
Rodrigo Pimentel tem a seu favor a experiência da família na política. Não só dos seus antepassados, mas ele também entende muito de política e vem mostrando isso. Uma das primeiras coisas que fez foi se isolar de Breno Coli, até porque Breno é pré-candidato a prefeito.  Logo, se Rodrigo Pimentel realmente quiser ser candidato a prefeito terá criar seu próprio grupo, atrair pessoas para seu lado.
 
Rodrigo vem fazendo isso. Depois de anos no  Partido Progressista (PP), ele deixa a legenda. Isso ocorreu por vários motivos, o principal foi a mudança na direção do partido. O representante do partido na região é o deputado federal Marcelo Aro, que  tem como apoiadora a vereadora Kélvia, a qual fez campanha para ele em Leopoldina e conseguiu 856 votos na cidade. Kélvia é também  pré-candidata a prefeita e conta com apoio de Marcelo Aro, logo, Rodrigo Pimentel teve que mudar de partido.
 
Rodrigo Pimentel  foi  para o Partido Verde (PV). Sua filiação ocorreu  no dia 17 de setembro  de 2019.  O PV tem como representante  na região, Pedro Leitão, que  concorreu ao cargo de deputado federal e obteve em  Leopoldina  uma boa votação. Teve 2.087 votos, sendo o terceiro mais votado. Porém, não foi eleito, mas que agora visa organizar o partido para a disputa municipal.  Rodrigo Pimentel tem uma boa ligação com Pedro Leitão devido  ser Diretor Geral das Faculdades Unificadas Doctum de Leopoldina e Cataguases, a qual pertence a família Leitão.

 
Além de montar seu grupo,  Rodrigo sabe que para viabilizar sua candidatura a prefeito precisará do apoio de outros grupos e partidos.  Ele vem conversando com outros grupos. Chegou a  participar de um encontro multipartidário, que ocorreu  no dia 28 de Novembro de 2019, contanto com a presença dos partidos: Partido Trabalhista Brasileiro (PTB),   Partido Democrático Trabalhista (PDT),   Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido Verde (PV).
 
A ideia desse encontro  era  montar uma frente. Além de Rodrigo Pimentel, participaram o desse encontro, o empresário e pré-candidato,  Ricardo da Paf Pax (PSB),  e  grupo do Bené Guedes (PDT), porém, esse já rompeu e tudo indica que irá apoiar o pré-candidato Breno Coli. Mas tem muita água para rolar. 
 
O desafio de Rodrigo Pimentel no momento é tentar manter os partidos que ficaram: PV, PSB e PTB. Continuar a caminhar juntos. Além de atrair novos grupos e partidos. Tarefa nada fácil. Como disse anteriormente, Ricardo da Paf Pax é também pré-candidato a prefeito e tem o mesmo objetivo. 
 
Será que  Rodrigo Pimentel vai conseguir fazer Ricardo desistir de sua pré-candidatura e apoiá-lo? Será que vai conseguir atrair novos grupos? Vai resistir a um convite para ser vice de outros candidatos?  A pergunta que não quer calar: E agora Rodrigo Pimentel?

 

 
 
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