24/07/2021 às 20h12min - Atualizada em 24/07/2021 às 20h12min

FUGA PARA O RIO DE JANEIRO – Leopoldina – Anos 1950 –

Edson Gomes Santos
Interessante como nos lampejos de nossas memórias são resgatados fatos estavam “guardados” nos nossos “hd’s” mentais, bastando uma frase, um dito popular ou não, uma música, um poema, um bate-papo, dentre outros insights, para nos relembrar passagens de nossas vidas que estavam meio que obscurecidos pelo tempo ido.

Relembrei essa “histórica” ocorrência, porém por eu não ter mais que 12 anos àquela época, busquei “detalhes” com meu irmão Eduardo, amigo, colega de ginásio e contemporâneo dos personagens e o ocorrido foi, mais ou menos, assim:

O Colégio Imaculada Conceição situava-se na Rua Lucas Augusto, na subida para a Catedral,  então um colégio restrito ao sexo feminino, pleno de belas jovens alunas, era o “ponto de observação” preferido dos estudantes do Ginásio.

Às vezes os ginasianos matavam aulas para, em pontos estratégicos nas vizinhanças do Imaculada, observar as garotas, principalmente quando estavam nas aulas de educação física, na quadra do colégio – antigamente situada em frente ao portão de entrada do Imaculada, do outro lado da rua - porém, a vigilância das freiras era intensa e rigorosa, visando, claro, proteger suas alunas dos enamorados e às vezes maliciosos olhares.   

Num determinado dia, num estratégico ponto de observação, lá estavam os três amigos – Joaquim, Márcio e Manoel – atentamente observando uma aula de educação física quando, inesperadamente, uma freira os avista e brada:
- Saiam daí!!! Vou comunicar ao diretor do Ginásio que vocês estão espreitando nossas alunas!!!

Flagrados, os três amigos começaram a conjecturar quanto às punições no ginásio e famílias e, para se safarem de humilhantes e punitivas situações, decidem: VAMOS FUGIR!!! E seguem para Rio-Bahia, lá para os lados da Polícia Rodoviária, e começam a jornada... de carona em carona, em caminhões e carros, até o Rio de Janeiro.

Pais, familiares, amigos, todos em polvorosa ante o sumiço dos três amigos, logo a cidade toda já tinha conhecimento da fuga dos três, porém seus destinos ainda eram desconhecidos.

... No Rio e sem grana, como ficam os, agora desamparados, três amigos? Bate a fome, a insegurança, a dúvida de se correta a fuga, enfim o desespero se aproxima.

Solução que [imagino] adotaram: “Dirigiram-se ao guichê da TAVIL – linha Rio/Leopoldina – relataram suas agruras; o atendente liga para Leopoldina e confirma suas histórias; destaca seus bilhetes de volta; “entrega” os fugitivos ao motorista Netinho – que os recebe com seu sempre simpático e afável sorriso; viajam imaginando o “sabão” que tomarão dos pais; e, pior, as chacotas dos colegas ginasianos e das – observadas – alunas do Imaculada.

Quem os recebe no Ponto de Ônibus de Leopoldina, apinhado de curiosos, foi o Dr. Cardoso, funcionário do DIPOA lotado em Leopoldina, pai do Márcio; abraça cada um dos três; informa que levará cada um deles à respectiva residência; para sua camionete; convida os três a embarcarem na caçamba; liga o motor e sai “desfilando” pelas ruas da cidade “exibindo” os três fugitivos à curiosidade pública, antes de entregá-los aos seus pais; encerrando o episódio da FUGA PARA O RIO DE JANEIRO que, por hilária, resolvi registrá-la.

                                                                                               Edson Gomes Santos, 30/06/2021
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