28/10/2021 às 09h08min - Atualizada em 28/10/2021 às 09h08min

SERGINHO DO ROCK – Criador de apelidos – 1971 –

Edson Gomes Santos
Serginho entre Dr. Lisboa e Funchal Garcia, durante entrevista dos veteranos carnavalescos para o jornal "A Verdade" (Foto: Gilberto Pinheiro)
Chover no molhado seria dizer que ele era carismático, criativo, sociável, debochado, músico, compositor, colunista de jornal, ex-economiário (da Caixa Federal), enfim reafirmar o óbvio.

A Verdade propunha ser uma publicação dinâmica, numa linguagem adequada à época, tipo “livre, leve e solta”, buscando atingir público leitor das mais diversas faixas etárias.

Sendo a Gazeta de Leopoldina um jornal tradicional, claro que suas propostas redacionais traduziam tal histórico haja vista sua fundação haver ocorrido em 1895, estar circulando desde então, sendo, nos anos 1960, um dos mais antigos jornais mineiros em circulação.

Nas notas que Serginho redigia para sua coluna do jornal sempre havia toques de gozação e humor, contemplando os mais diversos personagens, das mais diversas áreas de atuações na sociedade leopoldinense.

Aos confrades da Turma da Galomba dedicava tratamento coloquial referindo-se a eles pelos respectivos nomes, porém quando os mencionava na sua coluna jornalística semanal, os nomes eram substituídos pelos apelidos talvez, creio, na intenção de “esconder” quem eram os “aventureiros” personagens ou, ainda, criar mistério, gerar curiosidade:

Frajola, Plóvis, Robsés, Bigodudo, Bramedson, Paulo Galombada, Vampônio Tramóia, Supervalmo, Tucano, Sargento Garcia, Jedão, dentre outros mais que não me recordo.

Já quando era para escrever e comentar sobre outros personagens leopoldinenses, “caretas” como ele os considerava, os apelidos vinham a toda força visando não identificar seus “donos”, alvos das gozações e comentários:

Mingau Kid, Luiveloz, Tramalho, Ostomias, Evarzé, Noel Vales, Gaveta (Gazeta), dentre muitos outros que não me recordo.

Não tenho dúvidas de que os apelidos atribuídos aos “caretas” surtiam os efeitos desejados pois sempre que um deles era “contemplado” com uma debochada e gozadora nota na coluna do Serginho, de imediato eles se dirigiam ao Dr. Dalmo Bastos para reclamar do fato.

Dr. Dalmo nunca deixou de ouvir suas lamúrias, dizia que intercederia no sentido de que tais fatos não mais ocorressem, porém... também informava aos reclamantes que Serginho, sendo meio insubordinado, poderia “pesar a mão” nos comentários caso se sentisse censurado.

Vale registrar que em nenhuma oportunidade Serginho do Rock denegriu a imagem e honra das suas “vítimas” das gozações nos seus textos e notas, pois para redigi-los ele tomava fatos editados nas colunas da Gaveta ou caídos “na boca do povo”, “trabalhava-os”, dando toques de fino humor e, através d’ A Verdade, os colocava à disposição dos fieis leitores.

Pois é, Antonio Sérgio Lima Freire, apelidado Serginho do Rock, além de tudo aquilo que foi dito na abertura deste texto, a partir de agora adquire o status de APELIDADOR.
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